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    Ibovespa fecha em queda de 0,43% com commodities, orçamento e FMI; dólar cai

    Principal índice da B3 encerrou o dia aos 115.687,25 pontos, enquanto a moeda norte-americana terminou com desvalorização de 0,99%, cotada a R$ 4,65

    Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

    São Paulo

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    O Ibovespa fechou nesta segunda-feira (18) em queda de 0,43%, aos 115.687,25 pontos. Já o dólar teve desvalorização de 0,99%, cotado a R$ 4,65 – a maior queda percentual diária em duas semanas.

    O principal índice da B3 recuou no começo desta semana, diante de desempenho das commodities, e com mercado atento à declaração do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento promovido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) à tarde.

    Vale e Petrobras puxavam o índice para baixo, enquanto Inter e Banco do Brasil foram os destaques da alta.

    Ao mesmo tempo, no Banco Central, a greve de funcionários afeta a divulgação de indicadores e relatórios como o boletim semanal Focus, o que também tem preocupado participantes do mercado.

    Com relação à moeda norte-americana, agentes do mercado chamaram a atenção para a possibilidade de instabilidade nos mercados internacionais de câmbio no dia, com a liquidez reduzida por feriado na Europa.

    Enquanto investidores digeriam os dados sobre o crescimento econômico da China, que, mesmo tendo superado as expectativas no acumulado do primeiro trimestre, perdeu fôlego em março. Expectativas de mais apoio na China tendem a ajudar moedas latino-americanas, já que a região tem fortes laços comerciais com o país asiático e se beneficiaria de um ambiente de maior liquidez e crescimento por lá.

    No entanto, o mercado não estava tão otimista sobre a possibilidade de novos estímulos do governo chinês, já que um corte de compulsório promovido na semana passada pelo banco central do país foi visto como conservador.

    O dólar fechou a última sessão, na quinta-feira (14), em alta de 0,18%, a R$ 4,696 na venda. Enquanto o Ibovespa encerrou em alta de 0,84%, para 120.294 pontos.

    Commodities

    Em entrevista ao CNN Brasil Business, Luciano Costa, economista e sócio da Monte Bravo Investimentos, informou que as restrições da Covid-19 reduziram a produção de aço bruto da China, o que colocou as mineradoras brasileiras em queda nesta segunda-feira.

    “Indicadores econômicos fracos na China bateram em ações de commodities”, disse também o analista da Mirae Asset Corretora Pedro Galdi, frisando o peso relevante desses papéis para o Ibovespa – cerca de 33% do índice.

    E, mesmo com o avanço de cotações de commodities como o minério de ferro e petróleo, as ações de exportadoras cediam depois de dados fracos em março na China ofuscarem desempenho melhor do que o esperado do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre.

    Os contratos futuros de minério de ferro nas bolsas de Dalian e Cingapura subiram nesta segunda-feira, revertendo as perdas do início da sessão. O contrato de minério de ferro mais negociado, para entrega em setembro, na bolsa de commodities de Dalian encerrou as negociações diurnas com alta de 0,9%, a 922 iuanes (US$ 144,69) a tonelada.

    Guerra na Ucrânia

    Especialistas entrevistados pelo CNN Brasil Business avaliaram também que o real tem se valorizado devido à forte entrada de investimento estrangeiro na bolsa brasileira. Com a guerra na Ucrânia, destaca Izac, há um apetite maior do estrangeiro pela bolsa nacional.

    O ciclo está ligado, em parte, à alta nos preços do petróleo e do minério de ferro devido à elevada demanda em meio à retomada econômica. O ciclo de alta de juros nos Estados Unidos também alimenta essa migração, com a saída da renda variável norte-americana.

    Nesta segunda-feira, o petróleo Brent fechou a US$ 113,16, com alta de 1,31%.

    Outro fator por trás desse movimento são as expectativas de mais medidas pró-crescimento na China que estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, o que levou a altas nos preços, reforçadas com a crise na Ucrânia.

    Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

    O mercado aguardou a coletiva sobre o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023. O governo propôs uma meta fiscal de déficit de R$ 65,9 bilhões para 2023, projetando ainda que as contas do governo central só voltarão ao azul em 2025.

    O secretário especial de Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago, afirmou que um reajuste de 5% para servidores públicos federais este ano exigiria cerca de R$ 12,6 bilhões no Orçamento de 2023, que será enviado em agosto. Segundo ele, a equipe econômica já prevê, no cenário atual, uma reserva de R$ 11,7 bilhões.

    A pauta fiscal voltou a preocupar investidores nos últimos dias, depois da decisão do governo de conceder um reajuste linear de 5% a todo o funcionalismo federal a partir de julho. A medida, anunciada apesar de aperto nas contas públicas, não foi bem recebida por representantes sindicais, que alegaram ser um benefício insuficiente e prometeram manter mobilizações de servidores para pressionar o Executivo a aumentar os salários.

    “Esse fator impulsiona a queda do principal índice da bolsa porque pode existir um rombo fiscal no orçamento do governo”, destaca Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.

    Fundo Monetário Internacional (FMI)

    Nesta segunda-feira, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, participa por videoconferência de São Paulo de um painel promovido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, participará presencialmente de encontro promovido pelo FMI e o Banco Mundial nos Estados Unidos.

    *Com Reuters

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