Ibovespa fecha em queda de 0,55% com minério de ferro e China; dólar sobe a R$ 4,66

Principal índice da B3 encerrou aos 115.056,66 pontos, enquanto a moeda norte-americana valorizou 0,36%

Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

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O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em queda de 0,55%, aos 115.056,66 pontos, nesta terça-feira (19). Enquanto o dólar à vista avançou 0,36%, a R$ 4,666.

A sessão foi marcada por um dia de realização de lucros, que é quando investidores costumam vender seus papéis após dias seguidos de ganhos fracos ou de ativos de risco tendo retorno negativo.

Segundo especialistas entrevistados pelo CNN Brasil Business, o principal índice da B3 recuou pela queda do minério de ferro e pela alta nos juros futuros. Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, destaca principalmente o preço do minério de ferro.

Por outro lado, Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, diz que os rumores sobre o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vender sua fatia de participação na Petrobras segurou uma possível queda maior do índice. O leilão dos papéis deve ultrapassar R$ 5 bilhões.

O dólar, por sua vez, subiu contra o real, já que a expectativa de que o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), será mais agressivo em seu aperto monetário impulsionava os rendimentos dos títulos soberanos norte-americanos.

Na véspera (18), o Ibovespa fechou em queda de 0,43%, aos 115.687,25 pontos. Já o dólar teve desvalorização de 0,99%, cotado a R$ 4,65.

Commodities e China

Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos, diz que o Ibovespa operou em sentido contrário às bolsas em Nova York por causa de sua composição, já que as ações de commodities têm relevância maior no índice local.

O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian encerrou as negociações diurnas em queda de 3,3%, a 887 iuanes (US$ 139,18) a tonelada, após atingir uma alta de duas semanas de 942 iuanes no início da sessão. Na bolsa de Cingapura, o contrato mais ativo de maio caiu 2,3%, a US$ 151,35 a tonelada.

Luciano Costa, economista e sócio da Monte Bravo Investimentos, em entrevista ao CNN Brasil Business, explica que a China foi um dos responsáveis pela desaceleração do Ibovespa nesta terça-feira. “A percepção de que o país asiático está tomando novas medidas para conter a Covid-19 e a revisão do crescimento da China pelo FMI reduziram o consumo do minério de ferro”.

A China também diminuirá a produção de aço bruto neste ano, após já ter realizado um corte em 2021, em linha com sua meta de controlar as emissões de carbono, disse um porta-voz do planejador estatal da China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.

Questão fiscal

Ao mesmo tempo, no Brasil, a questão fiscal seguiu em foco. Após servidores públicos demonstrarem insatisfação com um reajuste linear de 5% para todo o funcionalismo, o governo federal avalia ceder mais por meio de aumento em vale-alimentação e de diárias para viagens, entre outras pautas a depender da categoria.

Na segunda-feira (18), ocorreu uma coletiva sobre o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023. O governo propôs uma meta fiscal de déficit de R$ 65,9 bilhões para 2023, projetando ainda que as contas do governo central só voltarão ao azul em 2025.

O secretário especial de Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago, afirmou que um reajuste de 5% para servidores públicos federais este ano exigiria cerca de R$ 12,6 bilhões no Orçamento de 2023, que será enviado em agosto. Segundo ele, a equipe econômica já prevê, no cenário atual, uma reserva de R$ 11,7 bilhões.

A pauta fiscal voltou a preocupar investidores nos últimos dias, depois da decisão do governo de conceder um reajuste linear de 5% a todo o funcionalismo federal a partir de julho. A medida, anunciada apesar de aperto nas contas públicas, não foi bem recebida por representantes sindicais, que alegaram ser um benefício insuficiente e prometeram manter mobilizações de servidores para pressionar o Executivo a aumentar os salários.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques desta terça-feira:

Maiores altas

  • Banco Inter (BIDI11) +9,15%;
  • BR Malls (BRML3) +7,66%;
  • Grupo Soma (SOMA3) +6,92%;
  • JHSF (JHSF3) +6,21%;
  • Totvs (TOTS3) +5,54%

Maiores baixas

  • Cemig (CMIG4) -5,84%;
  • Carrefour (CRFB3) -4,30%;
  • Eletrobras (ELET3) -4,40%;
  • Sabesp (SBSP3) -3,84%;
  • Vale (VALE3) -3,19%

*Com informações da Reuters

 

 

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