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    Com guerra na Ucrânia, dólar sobe 2,03% e fecha a R$ 5,10; Ibovespa encerra em queda

    Principal índice da bolsa encerrou o dia aos 111.591,87 pontos, enquanto a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,104 e na maior alta percentual desde setembro de 2021

    Real reverte tendência de valorização após Rússia atacar Ucrânia
    Real reverte tendência de valorização após Rússia atacar Ucrânia dpa/picture alliance via Getty Images

    João Pedro MalarArtur Nicocelido CNN Brasil Business*

    em São Paulo

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    O dólar encerrou esta quinta-feira (24) em alta de 2,03%, cotado a R$ 5,104, interrompendo quatro sessões seguidas de queda. Essa foi a maior alta percentual desde 8 de setembro do ano passado, quando registrou alta de 2,84%, com o mercado reagindo às manifestações de 7 de setembro.

    O cenário na Ucrânia reverteu a trajetória de valorização da moeda brasileira, já que a crise no leste europeu gera aversão global a riscos e o aumento da busca por ativos considerados mais seguros, caso da moeda norte-americana.

    Já o Ibovespa fechou em queda de 0,37%, aos 111.591,87 pontos, seguindo as bolsas de valores ao redor do mundo. A baixa foi puxada por praticamente todos os setores, em especial os de viagem, saúde, varejo e tecnologia, com as ações ligadas ao petróleo registrando alta.

    Na quarta-feira (23), o dólar fechou em queda de 0,94%, cotado a R$ 5, menor patamar desde 30 de junho de 2021. Já o Ibovespa caiu 0,78% aos 112.007,61 pontos.

    Bolsas no exterior

    Com o cenário na Ucrânia, as bolsas em todo o mundo recuam nesta quinta-feira. Na Ásia, onde as negociações já se encerram, o índice Nikkei, principal da bolsa do Japão, caiu 1,81%, a 25.970,82 pontos, enquanto o Hang Seng sofreu tombo de 3,21% em Hong Kong, a 22.901,56 pontos.

    Já o sul-coreano Kospi teve queda de 2,60% em Seul, a 2.648,80 pontos, e o Taiex registrou baixa de 2,55% em Taiwan, a 17.594,55 pontos.

    Na China continental, o Xangai Composto recuou 1,70%, a 3.429,96 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve perda ainda mais expressiva, de 2,36%, a 2.282,44 pontos.

    Na Oceania, a bolsa australiana sofreu a maior queda em um único pregão desde setembro de 2020. O S&P/ASX 200 caiu 2,99% em Sydney, a 6.990,60 pontos.

    As bolsas também recuaram na Europa, com o índice STOXX 600, que reúne as principais ações de 17 países europeus, em queda de 3,28%, a 438,96 pontos, seu menor nível desde maio de 2021.

    A bolsa de valores da Rússia, na capital Moscou, chegou a suspender negociações de todos os seus ativos em meio a quedas significativas. As negociações foram retomadas algumas horas depois, e o MOEX, principal índice, caindo 33%. O rublo russo segue recuando em relação ao dólar, próximo de mínimas históricas.

    As bolsas dos Estados Unidos também caem, com duas dos três principais índices – Dow Jones e S&P 500 – registrando quedas. Já o Nasdaq sobe, com investidores aproveitando a desvalorização grande de empresas de tecnologia.

    Ucrânia

    A Rússia lançou uma invasão total da Ucrânia nesta quinta-feira (24), iniciando uma guerra na região, o que gerou reações de líderes mundiais e, segundo Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, as maiores sanções econômicas já impostas na história contra o país liderado por Vladimir Putin.

    As sanções prometidas pelos EUA e aliados ainda estão em desenvolvimento, mas algumas já foram anunciadas ao longo da quinta-feira:

    • Limitar a capacidade da Rússia de fazer negócios em dólares, euros, libras e ienes para fazer parte da economia global;
    • Limitar capacidade de financiar e aumentar as forças armadas russas;
    • Prejudicar sua capacidade de competir na economia de alta tecnologia do século 21;
    • Sanções contra bancos russos que juntos detêm cerca de US$ 1 trilhão em ativos.

    A invasão, e as chances de novas escaladas no cenário geopolítico, aumentam a aversão a riscos dos investidores e a busca pelo dólar, com o índice DXY, que compara a moeda frente a outras, avançando quase 1%.

    O cenário também favorece outros ativos considerados de “proteção”, por serem menos voláteis, caso do franco suíço, do ouro e da prata.

    O VIX, chamado de “índice do medo” por tentar medir o grau de volatilidade do mercado, tem alta de cerca de 5%, rondando os 32 pontos, após chegar ao maior nível desde setembro de 2020. O ambiente acaba sendo negativa para o mercado de ações como um todo, com as bolsas em todo o mundo caindo, assim como para outros ativos de risco, caso das criptomoedas, com o recuo do bitcoin chegando aos 8%.

    Outra consequência da invasão é a alta nos preços de commodities, principalmente as ligadas à Rússia e a à Ucrânia, caso do milho, trigo e do petróleo. O tipo Brent, referência da Petrobras para a política de preços, sobe mais de 5%, e ultrapassou a casa dos US$ 100 o barril pela primeira vez desde 2014.

    Commodities

    A situação na Ucrânia ainda não havia superado os benefícios para o real de um ciclo de migração de investimentos para mercados ligados a commodities e vistos como baratos, com o Brasil beneficiado também pelos juros altos, que limita os efeitos das apostas em uma política de alta de juros agressiva pelo Federal Reserve. Entretanto, isso pode mudar.

    O ciclo estava ligado, em partes, a expectativas de mais medidas pró-crescimento na China que estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, o que leva a altas nos preços. Por outro lado, intervenções do governo chinês no mercado têm gerado pressões de queda, em um sobe e desce na cotação.

    No caso do petróleo, analistas do Goldman Sachs afirmam que os preços do tipo Brent devem superar os US$ 100 por barril neste ano. O principal fator para a alta é o descompasso entre oferta e demanda da commodity, com os principais produtores, reunidos na Opep, ainda não retomando os níveis de produção pré-pandemia. As tensões na Ucrânia também fazem os preços subirem.

    Outro fator que pesava nesse movimento é a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos já no mês de março, de 0,25 ou 0,5 ponto percentual, reforçada por dados de inflação levemente acima do esperado. Com isso, investidores estrangeiros têm saído do mercado de ações norte-americano.

    Com a inflação americana batendo recorde em quatro décadas, o Fed vem dando indicações mais duras aos mercados, mas a ata da última reunião do banco não deixou claro o tamanho e ritmo do aperto que o banco central americano fará, indicando que as decisões ocorrerão a cada reunião pelo contexto econômico.

    Qualquer alta de juros no país pode afetar os investimentos no Brasil, já que torna os títulos do Tesouro norte-americano ainda mais atrativos para os investidores, pressionando negativamente o real.

    Brasil

    No radar dos investidores está também a chamada PEC dos Combustíveis, que permitiria a suspensão de impostos para esses produtos. Representando um possível descontrole de gastos, o tema tem potencial para afetar negativamente o real e o Ibovespa.

    Duas PECs já foram protocoladas, uma no Senado e outra na Câmara, com cálculos de perda de arrecadação indo de R$ 18 bilhões até R$ 100 bilhões dependendo do conteúdo, mas o foco no momento são dois projetos de lei sobre o tema cuja votação foi marcada para o próximo dia 8.

    Um dos PLs determina um valor fixo de cobrança do ICMS para combustíveis, com o tributo estadual deixando de variar seguindo flutuações de preço do produto, e expande o chamado vale-gás para famílias brasileiras.

    Já o outro criaria um fundo de estabilização do preço do petróleo e derivados (diesel, gasolina e GLP), com uma nova política de preços internos de venda para distribuidores.

    Sobe e desce da B3

    Maiores altas

    • Sul America (SULA11) +15,19%;
    • Minerva (BEEF3) +7,04%;
    • Locaweb (LWSA3) +6,51%;
    • Raia Drogasil (RADL3) +3,90%;
    • Ultrapar (UGPA3) +3,62%

    Maiores baixas

    • Qualicorp (QUAL3) -14,77%;
    • Rede D’Or (RDOR3) -7,66%;
    • BRF (BRFS3) -6,07%;
    • Azul (AZUL4) -5,85%;
    • Positivo (POSI3) -3,73%

    *Com informações da Reuters e da CNN 

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