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    Ouro e prata podem proteger sua carteira; veja dicas de como e quando investir

    Metais são considerados ativos de proteção, e investimento tem se tornado mais acessível nos últimos anos

    Ouro e prata são considerados ativos de proteção contra perdas em investimentos
    Ouro e prata são considerados ativos de proteção contra perdas em investimentos Foto: Unsplash/@zlataky

    João Pedro Malar,

    da CNN Brasil Business, em São Paulo*

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    Engana-se quem pensa que investir em ouro e prata hoje em dia significa comprar joias ou outras versões físicas desses metais. O mercado financeiro oferece cada vez mais opções para comprar esses ativos, e o investimento tem se tornado mais acessível nos últimos anos.

    Entretanto, antes de tomar a decisão de investir ou não nesses metais preciosos, é importante considerar alguns fatores. Patricia Palomo, diretora de investimentos da Sonata Gestão de Patrimônio, destaca que os ativos “não são considerados investimentos na palavra mais tradicional”.

    O motivo é que eles não oferecem um rendimento, como uma taxa de juros ou geração de lucros com distribuição de dividendos, como é o caso dos investimentos em títulos do Tesouro ou em ações de empresas. Assim, o investidor “não tem expectativa de rendimento associada ao metal precioso”.

    Mas qual a vantagem, então, de investir em ouro ou prata? Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo, explica que os dois metais são considerados reservas de valor. “Nas crises são ativos que performam bem, não tem rendimento, não paga juro, mas é melhor ficar sem juros do que ficar sem dinheiro. É uma proteção. Não é dali que vai extrair o maior retorno. Você investe para quando o mercado estiver ruim, você diminuir suas perdas”, diz.

    Por causa dessa característica, tanto Knudsen quanto Palomo recomendam que o investidor não destine todo o recurso disponível para investimentos em ouro e prata, mas sim uma pequena parcela. “Não pode pegar 80% do investimento e colocar em ouro ou prata. É uma reserva de valor, proteção contra guerras, epidemias”, afirma o gestor.

    A ideia, portanto, seria incluir os metais em um portfólio de investimentos. Nesse caso, o ouro ou a prata “entram na composição protegendo uma parte da exposição a ativos de risco”, afirma Palomo. Ela destaca, ainda, que dados mostram uma “correlação negativa” entre o preço desses metais e os de ativos de risco. Ou seja, “quando os mercados vão mal ou há expectativa de queda da atividade ou lucro das empresas, os investidores buscam esses metais para proteger o recurso que está investido”.

    Um dos fatores que garante essa correlação é a escassez desses metais, com uma quantidade finita e relativamente baixa. Como a oferta é limitada, os preços sobem quando há mais procura. Foi isso que ocorreu, por exemplo, durante a pandemia da Covid-19, em que os ativos, em especial o ouro, receberam mais investimentos.

    Assim, a decisão de investimento depende da composição do portfólio dos ativos em que você investirá. “Se o portfólio é totalmente conservador, sem risco, talvez não haja o que proteger, então, é preciso avaliar se faz sentido ter um ativo de proteção”, observa Palomo.

    Opções de investimento em ouro e prata

    Tomada a decisão de investir nesses metais, é importante saber as opções que existem hoje. No geral, Palomo observa que o investimento pela compra física dos metais possui algumas desvantagens, como a dificuldade de encontrar uma casa que comercialize e que seja certificada, com garantia de qualidade, além da questão do deslocamento e armazenamento do metal.

    Por conta desses fatores, ela considera que investir pelo mercado financeiro acaba sendo mais prático. A primeira opção é a de negociar diretamente o preço desses metais no futuro, apostando em altas ou baixas. Knudsen explica que, hoje, a bolsa de valores oferece apenas investimentos em contratos de ouro, como o de código OZ1D, mas o valor mínimo de investimento costuma ser alto porque o contrato vale para 250g do metal.

    Bolsa de valores permite investimento direto em contratos de preços de ouro
    Bolsa de valores permite investimento direto em contratos de preços de ouro
    Foto: Unsplash/@zlataky

    “A vantagem é que não precisa ter a guarda física. Você se apropria só da variação de preço, com um contrato, tudo feito de forma financeira”, observa Palomo. A desvantagem, porém, é que o investidor pessoa física precisa lidar com uma série de burocracias ligadas a esse investimento. Além de precisar ficar atento às variações diárias nos valores dos contratos, é necessário fornecer um valor de garantia. Assim, ela considera que é mais fácil fazer o investimento por meio de fundos, que realizam todo esse processo para o investidor.

    Os fundos podem ser de dois tipos: os indexados na bolsa, também conhecidos como ETFs e que Palomo classifica como “praticamente ações”, e os fundos tradicionais, que são negociados fora da bolsa, em plataformas de empresas. Knudsen observa que a oferta de BDRs e ETFs vem aumentando, e cita os ETFs GOLD11, para o ouro, e BSLV39, para a prata, como opções.

    Na prática, os dois tipos fazem a mesma atividade: investimentos em ativos ligados ao ouro e à prata. A diferença acaba sendo nas questões burocráticas. Palomo observa que o investimento direto nos ETFs demanda a declaração dos ganhos a cada resgate. Já os fundos fazem esse processo pelo investidor, o que os tornam mais práticos.

    Por realizarem essa atividade, os fundos cobram taxas administrativas, mas as de fundos de metais preciosos costumam ser baixas, exatamente por não envolverem a administração de lucros ou dividendos.

    O gestor da Vitreo destaca que é importante ficar atento ao risco cambial nos fundos. Ele sempre estará presente nos de ouro, porque o metal é cotado em dólar. “Alguns fundos tiram esse risco cambial, outros não”, explica ele, mas isso também influencia na taxa de rentabilidade do fundo.

    Já em relação à volatilidade, Knudsen observa que os fundos de investimento nos metais possuem volatilidade ligada exatamente à característica do ouro e da prata como ativos de proteção. “Quando está todo mundo feliz, ninguém quer ouro, quer bolsa”, explica ele. Essa variação de acordo com o “humor” do mercado coloca um certo risco nos investimentos.

    Dados da Vitreo colocam a perda máxima nos fundos de ouro em 28% do valor investido. Já nos de prata, o valor chega a 49%. A diferença, segundo o gestor, está ligada à quantidade menor de investidores no metal. “O ouro é mais famoso, é a reserva de mercado global, tem menos gente investindo na prata, então qualquer movimentação afeta a cotação”, explica.

    Knudsen observa também que, nos últimos anos, os valores mínimos de investimentos em fundos de ouro têm caído. Os fundos da Órama e da Vitreo, por exemplo, cobram um valor mínimo de R$ 100. “A tendência do mercado é diminuir os valores mínimos. No passado era R$ 10 mil, R$ 1.000, todo mundo está encaminhando para o mínimo possível”, diz.

    Para ele, um valor mínimo menor não apenas torna o fundo mais acessível, como também permite a criação de portfólios de investimento com valores menores, tendo o ouro como ativo de proteção. Já os fundos de investimento em prata ainda são mais difíceis de serem encontrados, exatamente pela “fama” maior do ouro.

    No caso do fundo da Vitreo, o valor mínimo também é de R$ 100. Além dos fundos específicos, também é possível investir nos metais a partir de fundos multimercados, ou seja, que investem em vários ativos, e que terão o ouro ou prata como ativo de proteção.

    Qual o contexto atual para os investimentos?

    Outro fator essencial na hora de decidir investir ou não em um ativo é o contexto econômico e político. Se o cenário é mais otimista, mais construtivo, de que a inflação nos EUA não vai sair fora do controle, juros lá sobem só em 2023, por exemplo, é preciso de menos proteção. Então, investe-se menos em ouro. “Mas sempre tem que ter”, comenta Knudsen.

    “Se tem uma visão mais pessimista, de que a inflação vai sair do controle, um endividamento muito grande de bancos centrais, deveria ter mais ouro”. Ele observa que, hoje, a Vitreo reduziu um pouco o investimento em ouro em seus fundos, exatamente pela visão mais construtivista, apoiada na recuperação econômica após os efeitos da pandemia.

    Investimentos em ouro e prata demandam boa leitura do contexto econômico e polít
    Investimentos em ouro e prata demandam boa leitura do contexto econômico e político
    Foto: Unsplash/@zlataky

    Ele destaca que se você sentir cheiro de crise, é melhor se proteger. O problema é que não adianta prever uma crise. “O ouro não rende mais que a bolsa, carregar ouro por muito tempo é ruim, porque nunca está ganhando muito”.

    “Hoje estamos na recuperação de um período ruim, então, em geral, os metais não performam tão bem. Mas o próprio fato de ter caído é uma oportunidade para quem quiser investir”, diz Patricia Palomo. Ela observa, ainda, que o cenário mostra uma atratividade maior de ativos de risco, como ações e imóveis, mesmo com alta da inflação, incluindo nos Estados Unidos e na Europa, o que retira investimentos sobre o ouro e a prata.

    “Acho que quem não tem [investimento em ouro ou prata], vale a pena ter, em uma parcela adequada na carteira, o que depende do grau de risco dela”, afirma. Palomo destaca que é importante sempre ter um bom diagnóstico de contexto antes do investimento, algo que também é facilitado ao optar por um fundo, já que o gestor desse fundo será o responsável por essas análises.

    “Não existe investimento ruim, apenas inadequado para o investidor. Esse diagnóstico é trabalhoso, mas fundamental, se puder ter orientação profissional, sempre ajuda”, opina.

    *Sob supervisão de Thâmara Kaoru

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