Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Dólar sobe a R$ 5,25 com temores sobre recessão; Ibovespa fecha em alta de 0,60%

    Moeda norte-americana valorizou 0,43%; principal índice da B3 encerrou aos 98.672,26 pontos

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business*

    em São Paulo

    Ouvir notícia

    O dólar fechou em alta de 0,43%, a R$ 5,251, nesta sexta-feira (24), apesar da fraqueza da moeda no exterior, enquanto o mercado digeriu o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de junho, considerada a prévia da inflação oficial do Brasil, mas mantém temores sobre uma possível recessão global. A moeda norte-americana encerrou no maior valor em quase cinco meses, ou desde 8 de fevereiro (R$ 5,260).

    Já o Ibovespa subiu 0,60%, aos 98.672,26 pontos, beneficiado pela recuperação de ações de commodities após fortes perdas na semana.

    Em relação ao fechamento da última sexta-feira, o dólar avançou 2,06%, marcando a quarta semana seguida de valorização. Enquanto o principal índice da B3 acumulou 4ª semana de queda.

    Neste pregão, o Banco Central fez leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de agosto de 2022. A operação do BC ajuda a dar liquidez na moeda, mas especialistas consultados pelo CNN Brasil Business apontam que o órgão poderia atuar mais para conter a volatilidade do câmbio.

    Na quinta-feira (23), o dólar fechou em alta de 0,97%, a R$ 5,229. Já o Ibovespa encerrou em queda de 1,45%, aos 98.080,34 pontos, no menor patamar desde 3 de novembro de 2020.

    IPCA-15

    A alta do IPCA15 voltou a acelerar em junho e ficou acima do esperado sob o peso do reajuste dos planos de saúde, com a taxa acumulada em 12 meses permanecendo acima de 12%.

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA15) registrou em junho alta de 0,69%, ante 0,59% no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

    O dado mensal da prévia da inflação brasileira ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,62%.

    O resultado levou o índice a acumular em 12 meses inflação de 12,04%, ainda quase 2,5 vezes o teto da meta oficial para a inflação este ano, que é de 3,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA – já abandonada pelo Banco Central.

    A leitura para o dado em 12 meses também ficou acima da expectativa, de um avanço de 11,98%.

    “A inflação está agora não apenas muito elevada mas também altamente disseminada, com projeção de que permaneça acima de 10% até outubro de 2022 e acima de 8% até março de 2023”, disse Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para a América Latina no Goldman Sachs.

    Banco Central

    O Banco Central segue em sua batalha contra a inflação e na semana passada elevou a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto percentual, a 13,25% ao ano, seguindo a indicação de que reduziria a intensidade de seu ciclo de aperto monetário, mas disse que antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude, na reunião de agosto.

    “Apesar de estarmos vendo a inflação voltando para patamares um pouco mais baixos, ainda é uma composição muito ruim…e acaba mostrando persistência muito grande da inflação. O Banco Central vai precisar elevar os juros para 14,25% neste ano, para fazer com que traga a expectativa de inflação de 2023 para mais próximo da meta”, avaliou Laíz Carvalho, economista para Brasil do BNP Paribas, vendo mais duas altas de 0,5 ponto percentual na Selic, em agosto e setembro.

    As mais recentes projeções do BC apontam para um IPCA de 8,8% ao final deste ano e de 4,0% em 2023, com a autoridade monetária já sinalizando que tentará levar a inflação a um patamar em torno da meta, não exatamente em cima do alvo.

    A política monetária do BC está atualmente focada na inflação de 2023, e o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, afirmou que, a partir de agosto, 2024 também entrará no chamado horizonte relevante do Banco Central.

    Minério de ferro

    Os contratos futuros do minério de ferro subiram na bolsa de Dalian nesta sexta-feira após uma queda recorde de 10 sessões, mas os preços em Cingapura permaneceram pressionados por uma perspectiva sombria para a demanda na China, maior produtora de aço do mundo.

    O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de Dalian mostrou volatilidade durante a sessão diária e encerrou em alta de 1%, a 736 iuanes (US$ 109,90) a tonelada. Na semana, a queda foi de 11%, a maior desde meados de fevereiro.

    Na Bolsa de Cingapura, o contrato do ingrediente siderúrgico para julho caiu 1%, para US$ 115 a tonelada.

    Na quinta-feira, o minério subiu 7,4% em Cingapura, recuperando-se do fechamento mais fraco deste ano na sessão anterior, depois que o presidente chinês Xi Jinping prometeu tomar medidas mais efetivas para alcançar as metas de desenvolvimento econômico e social do país.

    Embora “a confiança do mercado tenha sido restaurada até certo ponto”, analistas da Sinosteel Futures disseram que a ausência de quaisquer medidas de estímulo econômico adicionais e específicas por parte de Pequim limitará quaisquer ganhos de preço do minério por enquanto.

    Sentimento global

    Os investidores ainda mantém uma forte aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, o que prejudicaria diversos tipos de investimentos.

    A principal causa para essa aversão é o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, com a elevação mais recente anunciada pelo Federal Reserve em 15 de junho. O órgão elevou os juros em 0,75 ponto percentual, na maior alta desde 1994, e deixou uma porta aberta para um aumento na mesma magnitude em julho.

    Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados de títulos e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

    Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu (BCE) sinalizou altas de juros a partir de julho, enquanto a China enfrenta um novo aumento de casos de Covid-19 com temores de novas restrições e o risco fiscal no Brasil voltou a ganhar força.

    Com isso, a combinação de um cenário doméstico debilitado, com o retorno de riscos fiscais e temores sobre interferências na Petrobras, e a perspectiva no exterior de fortes apertos monetários voltaram a prejudicar o mercado brasileiro.

    Sobe e desce da B3

    Veja os principais destaques do pregão desta sexta-feira:

    Maiores altas

    • Gol (GOLL4) +7,32%;
    • CSN (CSNA3) +5,26%;
    • PetroRio (PRIO3) +5,08%;
    • Suzano (SUZB3) +5,04%;
    • Azul (AZUL4) +4,99%

    Maiores baixas

    • Petz (PETZ3) -6,06%;
    • Grupo Soma (SOMA3) -5,16%;
    • Via (VIIA3) -4,22%;
    • CVC (CVCB3) -4,17%;
    • Magazine Luiza (MGLU3) -3,14%

    *Com informações da Reuters

    Mais Recentes da CNN