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    Ibovespa fecha em alta de 2,12% com menor aversão a riscos; dólar cai a R$ 5,23

    Principal índice da B3 encerrou aos 100.763,60 pontos; moeda norte-americana desvalorizou 0,32%

    João Pedro MalarArtur Nicocelido CNN Brasil Business*

    em São Paulo

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    O Ibovespa avançou 2,12%, aos 100.763,60 pontos, nesta segunda-feira (27), beneficiado pela redução de aversão a riscos pelo mundo devido a dados econômicos mais fracos nos Estados Unidos.

    Com isso, o mercado aposta agora em um Federal Reserve menos agressivo nas altas de juros. O cenário também girou em torno de uma desaceleração econômica global menor, beneficiando as commodities, cujos preços subiram e impulsionaram as ações do setor na bolsa – principalmente o minério de ferro.

    Já o dólar fechou em queda de 0,32%, cotado a R$ 5,235. A moeda norte-americana recuou no exterior em um dia de maior otimismo entre investidores, mas o real foi prejudicado pelo retorno de temores sobre a situação fiscal do Brasil.

    Entretanto, os investidores seguiram atentos ao risco fiscal no Brasil. O senador Fernando Bezerra deve apresentar o parecer da PEC dos Combustíveis na terça-feira, e o texto deverá incluir um aumento de R$ 200 no Auxílio Brasil, passando assim de R$ 400 para R$ 600, e a criação do chamado “voucher caminhoneiro”, que será de R$ 1.000. A perspectiva de um possível descontrole de gastos não é bem vista pelo mercado, e pode prejudicar o real.

    Com um dia sem eventos relevantes no exterior, o mercado monitorou também a reunião do Conselho de Administração da Petrobras, que elegeu Caio Mario Paes de Andrade como presidente da estatal. O foco é em possíveis interferências do governo federal na política de preços de combustíveis, que não seriam bem recebidas por investidores.

    Segundo fontes do governo federal ouvidas pela CNN, Paes de Andrade será referendado pela Assembleia Geral de Acionistas assim que ela for realizada e que, até lá, vai atuar integralmente como presidente da Petrobras desde o momento da sua posse.

    Ainda nesta segunda-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o pior da inflação teria passado, com dados mais recentes já dentro do esperado, e que o ciclo de alta de juros deve encerrar em agosto, apesar dos riscos fiscais demandarem atenção.

    E, neste pregão também, o Banco Central fez um leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de agosto de 2022. A operação do BC ajuda a dar liquidez na moeda, mas especialistas consultados pelo CNN Brasil Business apontam que o órgão poderia atuar mais para conter a volatilidade do câmbio.

    O dólar teve a quarta alta semanal consecutiva, subindo 2,06% e encerrando a sexta-feira (24) a R$ 5,251, no maior valor desde 8 de fevereiro. Já o Ibovespa teve a quarta semana de queda, recuando aproximadamente 1% e fechando na sexta-feira aos 98.672,26 pontos.

    Minério de ferro

    Os contratos futuros de minério de ferro atingiram máximas de uma semana nas bolsas de Dalian e Cingapura nesta segunda-feira, apoiados por esperanças de que as siderúrgicas chinesas reiniciem dezenas de altos-fornos que haviam ficado ociosos devido à queda nas margens e à fraca demanda para reabastecer estoques.

    A flexibilização das restrições da Covid-19 em Xangai e a suspensão ou relaxamento de mandatos de testagem em várias cidades chinesas também impulsionaram os mercados, que haviam sido afetados nas últimas duas semanas em meio a preocupações com a fraca demanda na maior produtora de aço do mundo.

    O minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian fechou em alta de 4%, a 775 iuanes (US$ 115,92) a tonelada, após atingir mais cedo 782,50 iuanes, seu maior nível desde 20 de junho.

    Na Bolsa de Cingapura, o contrato de julho do ingrediente siderúrgico subiu para 5,7%, para US$ 120,60 a tonelada, seu maior valor desde 20 de junho.

    O minério de ferro caiu 22% em Dalian após um sell-off recorde de 10 sessões até 23 de junho, enquanto o contrato em Cingapura registrou o fechamento mais fraco deste ano na quinta-feira passada, a 108,14 dólares a tonelada, arrastado pela desaceleração da produção de aço na China.

    O pânico do mercado visto na semana passada diminuiu, disseram analistas da Sinosteel Futures em nota. A expectativa é de que a produção limitada de aço ajude a reduzir os altos estoques, disseram eles, e “a redução na oferta ajudará os preços a pararem de cair”.

    Mas o cenário geral para o mercado de ferrosos da China não mudou fundamentalmente, disseram analistas.

    Sentimento global

    Os investidores ainda mantém uma aversão global a riscos desencadeada por temores sobre uma possível desaceleração econômica generalizada devido a uma série de altas de juros pelo mundo para conter níveis recordes de inflação, o que prejudicaria diversos tipos de investimentos.

    A principal causa para essa aversão é o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, com a elevação mais recente anunciada pelo Federal Reserve em 15 de junho. A autarquia elevou os juros em 0,75 ponto percentual, na maior alta desde 1994, e deixou uma porta aberta para um aumento na mesma magnitude em julho.

    Os juros maiores nos Estados Unidos atraem investimentos para a renda fixa do país devido a sua alta segurança e favorecem o dólar, mas prejudicam os mercados de títulos e as bolsas ao redor do mundo, inclusive as norte-americanas.

    Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu (BCE) sinalizou altas de juros a partir de julho, enquanto a China enfrenta um novo aumento de casos de Covid-19 com temores de novas restrições e o risco fiscal no Brasil voltou a ganhar força.

    Com isso, a combinação de um cenário doméstico debilitado, com o retorno de riscos fiscais e temores sobre interferências na Petrobras, e a perspectiva no exterior de fortes apertos monetários voltaram a prejudicar o mercado brasileiro.

    Sobe e desce da B3

    Veja os principais destaques do pregão desta segunda-feira

    Maiores altas

    • Petrobras (PETR3) +6,75%;
    • Petrobras (PETR4) +6,43%;
    • PetroRio (PRIO3) +5,29%;
    • 3R Petroleum (RRRP3) +6,41%;
    • Eneva (ENEV3) +5,78%

    Maiores baixas

    • Azul (AZUL4) -5,33%;
    • Meliuz (CASH3) -5,56%;
    • IRB Brasil (IRBR3) -5,35%;
    • CVC (CVCB3) -4,70%;
    • Gol (GOLL4) -4%

    *Com informações da Reuters e informações de Thais Herédia, da CNN

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