Mesmo dependente, Europa considera aderir a embargo de petróleo russo

Lideres da UE irão discutir se devem rejeitar fonte de energia da Rússia, maior fornecedora para a região, depois de já terem se comprometido a reduzir o uso de gás natural em 66% este ano

Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo, atrás da Arábia Saudita
Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo, atrás da Arábia Saudita Reuters

Mark ThompsonJames Fraterdo CNN Business*

em Londres

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A Europa vai considerar aderir a um embargo ao petróleo russo liderado pelos EUA nesta semana, enquanto o Ocidente procura novas maneiras de punir o presidente Vladimir Putin por travar a guerra devastadora na Ucrânia.

Os líderes da UE vão discutir se devem despejar o que é de longe o maior fornecedor de petróleo para a região, depois de já terem se comprometido a reduzir o uso de gás natural russo em 66% este ano.

A reunião na próxima quinta-feira (24) terá o presidente dos EUA, Joe Biden, que está visitando a Europa para as cúpulas da UE, da OTAN e do G7.

O principal diplomata da União Europeia disse que o bloco está pronto para impor mais sanções à Rússia, mas que nenhuma decisão foi tomada na reunião da última segunda-feira, na qual ministros das Relações Exteriores da UE discutiram se deveriam visar especificamente a questão energética.

“Hoje não foi um dia para tomar decisões nessa área, então nenhuma decisão foi tomada, mas esta e outras medidas possíveis foram submetidas à análise dos ministros”, disse o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, a repórteres.

A questão das importações de energia russa foi levantada por vários estados membros e “houve uma interessante troca de pontos de vista, informações sobre isso”, acrescentou.

A Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo, atrás da Arábia Saudita, e, apesar do efeito assustador de sanções financeiras ocidentais sem precedentes e um embargo anunciado pelos Estados Unidos e Reino Unido, continua a ganhar centenas de milhões de dólares por dia com exportações de energia.

“Acho inevitável começar a falar sobre o setor de energia. E definitivamente podemos falar sobre petróleo, porque é a maior receita do orçamento russo”, disse o ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Gabrielius Landsbergis, ao chegar a Bruxelas para as negociações de segunda-feira.

Outros estados da UE apoiam a ideia de atingir o ativo mais valioso da Rússia com sanções.

“Olhando para a extensão da destruição na Ucrânia agora, é muito difícil – na minha opinião – argumentar que não deveríamos entrar no setor de energia, particularmente petróleo e carvão, em termos de interromper o comércio normal no país”, disse o ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney.

Atualmente, a União Europeia depende da Rússia para cerca de 40% de seu gás natural. A Rússia também fornece cerca de 27% das importações de petróleo e 46% das importações de carvão.

O que a Alemanha deve fazer?

No início deste mês, os líderes da UE disseram que o bloco ainda não poderia se juntar aos Estados Unidos na proibição do petróleo russo, por causa do impacto que teria sobre famílias e indústrias que já enfrentam preços recordes.

Em vez disso, eles disseram que trabalhariam em direção a um prazo de 2027 para acabar com a dependência do bloco da energia russa.

Há também o risco de que a Rússia possa retaliar restringindo as exportações de gás natural. O vice-primeiro-ministro Alexander Novak disse este mês que Moscou poderia cortar o fornecimento de gás para a Alemanha através do gasoduto Nord Stream 1, em retribuição por Berlim ter bloqueado o novo projeto de gasoduto Nord Stream 2.

Ainda assim, a opinião política pode estar endurecendo na Europa à medida que a Rússia intensifica seus ataques às cidades da Ucrânia, matando centenas de civis e forçando milhões a fugir de casa.

Muito se resumirá a países como a Alemanha, o maior consumidor de energia da Rússia na Europa, bem como outros que compram muito do gás russo, como Hungria e Itália.

A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse que o país está “trabalhando a toda velocidade” para acabar com sua dependência da Rússia, mas, como alguns outros países da UE, não consegue parar de comprar petróleo russo de um dia para o outro.

“Se pudéssemos, faríamos isso automaticamente”, disse ela.

Mesmo sem um embargo da UE – e qualquer contra-ataque russo em potencial – o mundo está enfrentando o maior choque no fornecimento de energia em décadas, segundo a Agência Internacional de Energia.

A instituição disse na semana passada que a Rússia poderia ser forçada a reduzir a produção de petróleo bruto em 30% a partir do próximo mês devido à queda na demanda.

Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Austrália já proibiram as importações de petróleo russo, afetando cerca de 13% das exportações da Rússia. E as medidas de grandes companhias de petróleo e bancos globais para parar de negociar com Moscou após a invasão estão forçando a Rússia a oferecer seu petróleo com um grande desconto.

A AIE, com sede em Paris, que monitora o fornecimento de energia para as principais economias desenvolvidas do mundo, disse que a produção russa pode cair 3 milhões de barris por dia.

“As implicações de uma potencial perda de exportações de petróleo da Rússia para os mercados globais não podem ser subestimadas”, disse a AIE em seu relatório mensal.

— Arnaud Siad e Alex Hardie contribuíram para esta reportagem.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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