Ministério da Agricultura terá “sommelier de azeite” para ajudar na fiscalização

Voluntários aprendem como detectar aromas e sabores característicos de um azeite de boa qualidade, e treinam seus sentidos para identificar fraudes

Azeite de Oliva: evolução de fraudes vem dificultando ação de fiscais
Azeite de Oliva: evolução de fraudes vem dificultando ação de fiscais Fulvio Ciccolo/ Unsplash

Sofia Kercherdo CNN Brasil Business*

São Paulo

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Na tentativa de estender os esforços de fiscalização do mercado de azeites no Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento começa a reunir pessoas que consigam identificar se o produto é verdadeiro, virgem ou extra virgem.

A iniciativa vem pouco tempo após cerca de 150 mil garrafas de azeite de 24 marcas serem removidas das prateleiras de seis estados do Brasil por irregularidades no produto, em dezembro do ano passado.

Segundo a pasta, a operação, chamada de Painel de Análise Sensorial, faz parte de uma série de esforços iniciados em 2017 para aumentar a fiscalização e melhorar a qualidade do azeite que chega ao consumidor.

À CNN, o Ministério explica que o grupo será formado de, no mínimo, 12 voluntários, que não precisam ter experiência prévia na área para participar da iniciativa. O requisito mínimo para participar é ser alfabetizado (e, claro, ter paladar e olfato aguçados).

Esses painelistas –que, na prática, serão uma espécie de “sommeliers de azeite”– passarão por treinamentos semanais, comandados por um membro do Conselho Oleícola Internacional (COI). Eles serão ensinados a detectar os aromas e sabores característicos de um azeite de oliva de boa qualidade, e treinam seus sentidos para identificar quando o produto está sendo vendido com o rótulo apropriado.

Glauco Bertoldo, Diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, explica que, ao longo dos anos, novas modalidades de fraudes vinham surgindo e sendo aprimoradas conforme as fiscalizações avançavam.

No começo, uma análise química era suficiente para atestar a qualidade (ou falta dela) em um produto importado para o país, explica Bertoldo, já que as irregularidades correspondiam, basicamente, a uma mistura de óleo de soja com corante.

Hoje, a situação está um pouco mais complicada. “Chegamos a um ponto que precisamos atuar no azeite dito virgem ou extra virgem, e temos dúvidas se são produtos de baixa qualidade que países produtores estão colocando no mercado brasileiro”, diz Glauco.

“O papel do painel sensorial é justamente nos dar a habilidade de uma fiscalização mais apurada destes produtos.”

Esses ensaios químicos medem os níveis de acidez e de oxidação do azeite. Quanto mais ácido é oxidado, menos qualidade o azeite tem. A oxidação ocorre à medida que o azeite envelhece, ou é armazenado incorretamente. O diretor explica que, neste aspecto, o azeite e vinho se contrapõem: quanto mais novo um azeite, melhor.

Treinamento

Apesar de o treinamento ser online, o painel segue regras rígidas: os painelistas deverão se encontrar presencialmente para receber amostras do azeite aquecido a 28 graus Celsius –temperatura que mais ajuda os avaliadores a captar os atributos sensoriais.

Para um azeite receber um veredito, todos os participantes analisam o cheiro e gosto dos produtos para determinar se o produto será ou não aprovado, e a classificação ocorre pela mediana das notas.

Caso haja um desvio muito significativo, a amostra precisa ser reavaliada em outro momento.

Apesar de ainda não ter data de implementação certa, Bertoldo avalia que o Painel de Análise Sensorial entrará em vigor antes da páscoa, e será uma iniciativa perene do Ministério. Ele ainda afirma que visa iniciar os painéis nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

*Sob supervisão de Ligia Tuon

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