Mais de 50% das mulheres abrem negócios por necessidade, diz pesquisa

Levantamento do Sebrae aborda desafios das novas empresárias no Brasil

Iara Maggionida CNN

em Curitiba

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Uma pesquisa aponta que 55% das mulheres brasileiras decidiram iniciar seus próprios negócios por necessidade de obter renda. Os dados são do relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2020, produzido pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ).

Segundo o levantamento, 60% das empreendedoras iniciais — com negócios de até três anos e meio —, atuam em apenas seis atividades. O número sobe para 14, mais do que o dobro, ao analisar os homens nesta mesma fase de empreendimento.

 

Entre as atividades mais desempenhadas pelas mulheres estão as de confecção de peças de vestuário, salões de beleza e a de comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal. Os homens apresentam forte atuação em atividades ligadas à construção civil, atividades paisagísticas e instalações elétricas, além de serviços de transporte e manutenção de veículos.

Os serviços de alimentação foram as atividades com os maiores percentuais entre os empreendedores iniciais, independentemente do sexo, mas a participação feminina é notadamente maior.

Ao somar “restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas” com “serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada” é possível observar que as atividades reuniam cerca de 13% de homens e 24% de mulheres.

O levantamento também mostra que 36,9% dos homens empreenderam em 2020, enquanto a taxa feminina de novas empreendedoras foi de 26,3%.

Mulheres são 70% dos autônomos

O trabalho autônomo se tornou uma das principais alternativas em meio à pandemia. A modalidade gerou mais de R$ 3 bilhões em renda no primeiro semestre desse ano.

Pesquisa feita pela Closeer, uma plataforma de freelancers, mostra que 70% desses profissionais no Brasil hoje são do sexo feminino.

Por essa pesquisa, 54% diz que o motivo da atividade é para aumentar a renda.

O último dado da Pnad, que vai até o segundo trimestre desse ano, mostra que o desemprego entre as mulheres estava em 17% ante quase 12% em homens e 14% no geral.

Esse fator ajuda a explicar a maior quantidade de mulheres em empregos sem carteira assinada. Outro fator que ajuda a explicar o cenário é o fato de as mulheres assumirem muito mais afazerem domésticos e, por isso, precisarem de horários mais flexíveis de trabalho, explica a analista de economia da CNN Priscila Yazbek.

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