Não se prevê hoje corte de luz por crise hídrica, afirma especialista

Cidades dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais registraram um apagão na noite deste sábado; ONS garantiu que o apagão não teve relação com a crise hídrica

Produzido por Thiago Felixda CNN

Em São Paulo

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Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (20), Nivalde Castro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do grupo de estudos do setor elétrico da instituição, afirmou que não se prevê atualmente um corte de luz devido à crise hídrica.

O especialista explicou que a situação dos reservatórios do país hoje é pior do que em 2001, quando houve racionamento de energia. Entretanto, o sistema mudou e está muito menos dependente das hidrelétricas.

“Hoje, 62% da nossa matriz energética é vinculada às usinas hidrelétricas, que precisam de água. Nós ficamos muito dependentes das chuvas, e há uma previsão de chuva na região Sul. Isso é importante porque se chover muito, atende a demanda da região, que pode exportar para o Sudeste, onde está o grosso do consumo de energia elétrica e onde a crise nos reservatórios é mais crítica”, falou o professor.

“Por outro lado, o governo, através da Aneel, está acelerando a entrada de outras usinas não hidrelétricas, justamente para ampliar a oferta de outras fontes que não a hidrelétrica. Nessa trajetória, a tendência é de não haver necessidade de obrigar um corte de energia para os consumidores.”

Cidades dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais registraram um apagão na noite deste sábado (18).

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) garantiu que o apagão registrado não teve relação com a crise hídrica. Mais de 60 cidades ficaram sem energia por cerca de uma hora no fim de semana.

“Foi um problema pontual. Aconteceu alguma coisa nos transformadores de Furnas e a energia foi restabelecida rapidamente. O ONS já fez um primeiro relatório e não tem nada a ver com a crise hídrica que o país está enfrentando”, disse Castro.

“Eventos desse tipo são comuns. O problema maior é que continua chovendo abaixo da média histórica. Vamos atravessar o deserto até mais ou menos novembro, e não estamos com água suficiente para atravessar essa trajetória de praticamente três meses.”

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