Nova denunciante diz que está disposta a testemunhar contra o Facebook nos EUA

Ex-funcionária afirma que a empresa não faz o suficiente para combater o abuso de sua plataforma em países fora dos Estados Unidos

Sophie Zhang disse que repassou documentos para agências dos EUA
Sophie Zhang disse que repassou documentos para agências dos EUA CNN

Donie O'Sullivando CNN Business

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Sophie Zhang, que disse sentir que tinha “sangue nas mãos” depois de trabalhar no Facebook, está disposta a testemunhar perante o Congresso americano sobre seu ex-empregador, disse ela à CNN no domingo (10). Ela afirmou que também repassou documentos sobre a empresa a uma agência de aplicação da lei dos Estados Unidos.

Zhang, que trabalhou como cientista de dados na gigante da tecnologia por quase três anos, escreveu um extenso memorando quando foi demitida pelo Facebook no ano passado.

Nele, ela detalhou como acreditava que a empresa não estava fazendo o suficiente para combater o ódio e a desinformação – especialmente em países menores e em desenvolvimento. Zhang afirmou que a empresa disse que ela foi demitida por causa de problemas de desempenho.

O memorando foi divulgado pela primeira vez no ano passado pelo BuzzFeed News e mais tarde ajudou a formar a base de uma série de reportagens do jornal The Guardian.

Falando à CNN em sua casa na Bay Area, na Califórnia, no domingo, Zhang disse que estava encorajada porque parecia haver apoio bipartidário para ações relacionadas à proteção de crianças na internet após o testemunho da denunciante Frances Haugen contra o Facebook a um subcomitê do Senado na semana passada.

Zhang afirmou que levou informações sobre o Facebook às autoridades. “Forneci documentação detalhada sobre possíveis violações criminais a uma agência de aplicação da lei dos EUA. Meu entendimento é que a investigação ainda está em andamento”, informou ela pelo Twitter no domingo.

Ela se recusou a compartilhar quando questionada pela CNN quais informações havia fornecido ou a qual agência. Um porta-voz do FBI se recusou a comentar na segunda-feira (11), acrescentando: “O FBI geralmente não confirma, nega ou de outra forma comenta informações ou dicas que podemos receber do público”.

O ponto central das alegações de Zhang sobre o Facebook é que ele não faz o suficiente para combater o abuso de sua plataforma em países fora dos Estados Unidos.

Aproximadamente 90% dos usuários ativos mensais do Facebook estão fora dos Estados Unidos e Canadá, de acordo com seu relatório trimestral mais recente.

Um porta-voz do Facebook rejeitou a acusação na segunda-feira, dizendo que a empresa havia investido bilhões em segurança e proteção nos últimos anos.

“Também derrubamos mais de 150 redes que buscavam manipular o debate público desde 2017, e elas se originaram em mais de 50 países, com a maioria vindo ou focada fora dos EUA. Nosso histórico mostra que reprimimos o abuso no exterior com a mesma intensidade que aplicamos nos EUA”, acrescentou o porta-voz.

(Este texto é uma tradução. Para ler o original, clique aqui)

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