Nova fabricante brasileira de aviões inicia projeto com motor híbrido

De acordo com a Desaer, a apresentação do modelo ATL-100H deve acontecer no prazo de 18 a 24 meses, mas ainda não há data de lançamento

Desenvolvimento da aeronave com motores elétricos auxiliares tem a colaboração da magniX
Desenvolvimento da aeronave com motores elétricos auxiliares tem a colaboração da magniX Divulgação/Desaer

Thiago Vinholescolaboração para o CNN Brasil Business

em São Paulo

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Nova fabricante brasileira de aviões, a Desaer anunciou nesta semana o lançamento do projeto ATL-100H, uma aeronave com propulsão híbrida composta por dois turboélices convencionais e um par de motores elétricos.

O desenvolvimento da aeronave com motores elétricos auxiliares tem a colaboração da magniX, empresa com sede no estado Washington, nos Estados Unidos, e hoje uma das principais referências no desenvolvimento de motores elétricos específicos para a aviação.

“Quando iniciamos o projeto do avião híbrido, nós procuramos fornecedores que tivessem experiência em motores elétricos e encontramos a magniX, que é a empresa com o maior know-how nessa área. A magniX vai fornecer toda a parte da motorização elétrica para o ATL-100H, incluindo as baterias”, disse Evandro Fileno, CEO da Desaer, em entrevista ao CNN Brasil Business.

Fileno confirmou que o modelo híbrido terá a mesma capacidade do ATL-100, que é projetado para transportar até 19 passageiros ou 2.500 kg de carga e autonomia de voo na faixa dos 2.000 km.

“A grande diferença no modelo híbrido será a eficiência e o custo reduzido da operação. Esperamos que o ATL-100H economize entre 25% e 40% de combustível, dependendo do alcance da viagem.”

O motor elétrico proposto para equipar o ATL-100H é o magni350, de 469 cavalos de potência. Uma versão desse propulsor já foi testada em hidroaviões da Harbour Air Seaplanes, companhia aérea canadense que deve iniciar ainda neste ano o primeiro serviço de transporte comercial em aviões elétricos.

A magniX também participa do projeto Alice, da israelense Eviation, e está desenvolvendo um pacote de conversão com motorização elétrica para modelos Cessna Caravan.

Divulgação/Desaer

“As implicações da criação do ATL-100H são de longo prazo e terão um impacto positivo na sustentabilidade ambiental”, afirmou Simon Roads, chefe de vendas da magniX. “O ATL 100H e futuras versões permitirão aos operadores atingirem as metas de redução de emissão de carbono mantendo os baixos custos operacionais e flexibilidade de operação oferecidos pela família de aeronaves ATL da Desaer.”

De acordo com o CEO da Desaer, a apresentação do ATL-100H deve acontecer no prazo de 18 a 24 meses.

“A configuração do avião híbrido é quase a mesma do modelo convencional. Um projeto não atrasa ou inviabiliza o outro. Os dois projetos estão correndo lado a lado. No entanto, devido a maior complexidade do modelo híbrido e os processos de certificação, ainda não é possível anunciar datas sobre voo ou lançamento do produto no mercado.”

Fileno disse ainda que o desenvolvimento do modelo híbrido é um “trampolim” para a Desaer projetar uma aeronave totalmente elétrica. “Futuramente planejamos ter um avião totalmente elétrico, mas a tecnologia atual das baterias ainda não permite alcançar os requisitos de segurança e desempenho ideais. O modelo híbrido ajudará a Desaer a aprimorar essa área.”

Avião elétrico Desaer / Divulgação/Desaer

Fábrica em Araxá

Hoje baseada no polo aeronáutico de São José dos Campos (SP), cidade natal da Embraer, a Desaer em breve terá uma nova casa.

Em 2020, a empresa anunciou a escolha de Araxá, no interior de Minas Gerais, para abrigar sua fábrica, onde serão produzidos os modelos das séries ATL-100 e ATL-300. Segundo Fileno, a planta inserida no aeroporto Romeu Zema também contará com escritórios administrativos e de engenharia.

“A construção da fábrica em Araxá será iniciada neste ano. Tanto o ATL-100, como o ATL-300, serão produzidos numa cadência inicial de quatro aeronaves por mês”, prevê o CEO da Desaer.

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