Número de famílias endividadas no Brasil é o maior em 11 anos, aponta CNC

Cerca de 12 milhões de famílias estão atualmente endividadas, diz Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo; número é o maior em 11 anos

Pesquisa da CNC indica que 12 milhões de famílias brasileiras estão atualmente endividadas
Pesquisa da CNC indica que 12 milhões de famílias brasileiras estão atualmente endividadas Mikhail Nilov no Pexels

Lucas Janoneda CNN

No Rio de Janeiro

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Cerca de 12 milhões de famílias brasileiras estão atualmente endividadas, segundo uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada nesta quinta-feira (4). Trata-se do maior nível de endividamento já registrado pela confederação, que analisa os dados há 11 anos.

O levantamento mostra que, em outubro, 74,6% dos grupos familiares no país possuíam dívidas a vencer nos próximos meses – seja por cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja e/ou crédito consignado. Em comparação com setembro, o endividamento familiar teve uma alta de 0,6 ponto percentual.

Entre as famílias endividadas, 25,6% disseram que já possuem contas em atraso, enquanto 10,1% afirmam que não terão condições de pagar as suas dívidas futuras.

O cartão de crédito é o maior vilão entre os inadimplentes, segundo o estudo. O meio de pagamento representa quase 85% de todas as dívidas dos brasileiros. Em segundo lugar, aparecem os carnês. O tempo médio para a quitação das dívidas atrasadas é de, em média, 60 dias.

O recorde no número de dívidas atinge todas as famílias brasileiras, independente da condição social, aponta a pesquisa da CNC. Tendo alta desde abril, a taxa de endividamento dos grupos familiares com renda de até dez salários-mínimos saltou para 75,9% em outubro, frente ao 75,3% do mês anterior. No mesmo mês de 2020, 68% das famílias nessa faixa de renda estavam endividadas.

Para as famílias com renda acima de dez salários-mínimos, a proporção de endividados também alcançou o maior patamar, com incremento de 69,5% em outubro, ante 59,4% em outubro de 2020. Para esse grupo, o endividamento vem apontando níveis recordes mensais desde fevereiro deste ano.

Em contrapartida, os pesquisadores apontam uma desaceleração no ritmo do endividamento para os próximos meses.

Segundo o levantamento, a alta de juros deve “arrefecer a dinâmica de dívidas”, uma vez que os créditos seguem encarecendo no Brasil ao longo dos meses. Atualmente, a taxa básica de juros está em 7,75% ao ano. A Selic já registra cinco altas consecutivas.

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