O que pode estar por trás da enquete de Musk sobre venda de parte da Tesla

Os papéis da companhia de tecnologia fecharam a sessão desta segunda-feira (8) a US$ 60,09, com queda de 4.92%

Elon Musk estudou física e economia na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos
Elon Musk estudou física e economia na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos Hannibal Hanschke/Reuters

Artur Nicocelida CNN*

São Paulo

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O começo desta semana não foi nada fácil para os investidores da Tesla.

As ações da companhia tombaram 4,92%, e fecharam a US$ 60,09, na sessão desta segunda-feira (8), devido à mais nova “brincadeira” do CEO da companhia, Elon Musk.

O bilionário, cuja fortuna estimada pela Forbes é de US$ 308,8 bilhões, ocupando o posto de homem mais rico do mundo, resolveu brincar com ativos – só que dessa vez não foi a criptomoeda Dogecoin.

Musk fez uma enquete em seu Twitter no sábado (6), na qual questionava os seguidores sobre a venda de 10% dos seus papéis da Tesla, ou US$ 21 bilhões em ativos.

A pesquisa, que encerrou no domingo (7), teve a participação de 3,5 milhões de pessoas, sendo que 57,9% votaram ‘sim’, e 42,1% apostaram no ‘não’. Musk afirmou ainda no Twitter que “estava preparado para aceitar qualquer um dos resultados”.

Segundo o The Wall Street Journal, o CEO é o maior acionista da Tesla, com 17% da empresa, ou 170,5 milhões de ações. Sua participação na sexta-feira valia mais de US$ 200 bilhões; com a queda de hoje ficou em aproximadamente US$ 198,1 bilhões.

O que está por trás da “brincadeira” é muito mais profundo do que se imagina. Musk já é conhecido por pronunciamentos nas redes que movimentam o mercado – porém, esta cartada pode ter segundas intenções.

 

As alíquotas norte-americanas

O bilionário havia dito anteriormente que teria que fazer muitas opções de ações nos próximos três meses para pagar os tributos que deve aos Estados Unidos. “Veja, eu não recebo salário em dinheiro ou bônus. Eu só tenho ações. Portanto, a única maneira de pagar impostos é vendendo papéis”, publicou Musk no Twitter.

O que o homem mais do rico do mundo não contou aos seguidores é que terá de desembolsar mais de US$ 15 bilhões para quitar uma cobrança de impostos sobre opções de ações que recebeu por sua posição na companhia.

A Receita dos Estados Unidos cobra uma alíquota de 37% sobre as opções de Musk. Já no âmbito federal, incide o imposto sobre investimento de 3,8%, além do imposto de 13,3% à receita da Califórnia, local onde reside o bilionário. Somando tudo, os impostos totalizam US$ 15 bilhões.

Porém, não está no métier do bilionário pagar todos os tributos anualmente, o que não significa que a venda dos 10% resultará na quitação das dívidas obrigatoriamente. Uma investigação da ProPublica, em junho, descobriu que Musk não pagou nenhum imposto de renda federal em 2018 – e em 2017 ele pagou apenas US$ 65 mil.

Cobrando taxas de grandes fortunas

Outra preocupação de Musk é a proposta apresentada pelo Partido Democrata norte-americano que prevê taxar os estadunidenses com renda anual superior a US$ 100 milhões ou mais pelos próximos três anos.

A medida deve impactar cerca de 700 bilionários, e o CEO da Tesla é um dos críticos da proposta. Porém, a população pensa ao contrário.

Segundo um levantamento do The Wall Street Journal, de 2019, 66% dos norte-americanos apoiavam criar uma taxação sobre a fortuna dos ultra-ricos.

Elon Musk precisaria pagar cerca de US$ 50 bilhões em impostos nesse período. O valor arrecado com a tributação dos bilionários chegaria em torno de US$ 224 bilhões.

O projeto foi apresentado em setembro pelo senador democrata Ron Wyder. Ele previa uma cobrança de 23,8% sobre ativos negociáveis, como ações na Bolsa, que seriam avaliados anualmente, e os bilionários seriam tributados sobre seus possíveis ganhos. A taxação aconteceria mesmo se o proprietário nunca vender ou tiver lucro com esses ativos.

Desde 8 de novembro de 2020, as ações da Tesla se valorizaram 59,23%.

Dúvidas e mais dúvidas 

A enquete de Musk também levanta questões sobre ele estar cumprindo um acordo de 2018 acertado com a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) sob o qual tuítes relevantes sobre a empresa precisam ter aprovação de advogado antes de serem publicados.

A SEC, questionada pela Reuters, não quis comentar o assunto, mas concluiu que Musk violou o acordo em 2019, levando a agência a tornar o acordo mais rígido.

O bilionário foi multado em US$ 20 milhões pela Comissão por publicar na rede social, em 2018, que estava considerando tornar a Tesla privada pelo valor de US$ 420 por ação, e que já tinha financiamento garantido para isso.

A SEC também pediu que ele deixasse o cargo de presidente da empresa.

*Com informações da Reuters e de Ramishah Maruf, do CNN Business

 

 

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