Percepção de inflação sobe 22 pontos em 4 meses e alcança 95% dos brasileiros, diz CNI

A pesquisa revela que 76% dos brasileiros afirmaram que a situação financeira foi prejudicada pela inflação

Pessoas caminham entre vendedores ambulantes no centro do Rio de Janeiro
Pessoas caminham entre vendedores ambulantes no centro do Rio de Janeiro 01/09/2020REUTERS/Ricardo Moraes

Fabrício Juliãodo CNN Brasil Business

em São Paulo

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O impacto da inflação no Brasil foi sentida por 95% da população, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Dados da pesquisa Comportamento e economia no pós-pandemia mostram que a percepção de inflação aumentou 22 pontos percentuais desde o último estudo, em novembro de 2021, quando foi registrado 73% no indicador.

Para a pesquisa de abril deste ano, foram entrevistadas 2.015 pessoas, entre os 1º e 5 do mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“A guerra travada na Ucrânia trouxe mais incertezas para a economia global, o que impulsiona a inflação e desperta o temor de retrocesso da economia em todo o mundo”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

“Diante dessa conjuntura tão difícil quanto indesejada, o Brasil precisa adotar as medidas corretas para incentivar o crescimento econômico, a geração de empregos e o aumento da renda da população. A principal delas é a reforma tributária. Não temos como fugir disso”, acrescentou.

A percepção do aumento de preços, bens e serviços foi generalizada, sem grandes diferenças entre os perfis etários, demográficos ou de escolaridade. A pesquisa revela que 76% dos brasileiros afirmaram que sua situação financeira foi prejudicada pela inflação.

As mais afetadas são as pessoas sem escolaridade, com renda de até um salário mínimo, e os moradores do Nordeste.

Além disso, 66% dos entrevistados acreditam que a inflação vai aumentar nos próximos seis meses. Na pesquisa anterior, de novembro de 2021, esse percentual era de 54%.

Redução de gastos

A pesquisa aponta que 64% da população reduziram gastos nos últimos seis meses. Entre este total, 49% afirmaram terem feitos cortes grandes ou muito grandes.

O orçamento foi ocupado com gastos crescentes e inevitáveis, como conta de luz, gás de cozinha, cesta básica e remédios. A pesquisa mostra que 59% dos pesquisados aumentaram seus gastos com conta de luz, 56% com gás de cozinha, 52% com arroz e feijão, 51% com água, 50% de combustível, 49% de frutas e verduras e 48% de carne vermelha.

Entre os principais itens que foram cortados 34% citaram material de construção; 29% cancelaram TV por assinatura; 12% cortaram a conta de celular; 24% deixaram de fazer refeições fora de casa; 23% deixaram de comprar eletrodomésticos; 15% deixaram de consumir combustível e 16% reduziram esse gasto; 15% deixaram de comprar roupas e sapatos e 14% afirmam não usar mais transporte público.

Além disso, 31% reduziram o consumo de carne vermelha, 27% o de roupas de calçados, 25% de refeições fora de casa e 19% de conta de celular e 19% reduziram frutas e verduras na alimentação.

A situação econômica atual, em comparação com crises econômicas anteriores, é considerada tão grave quanto ou mais grave por 81% da população. A pior percepção é da população com mais de 60 anos, que conviveu com inflação alta e diversos planos econômicos.

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