Preço da cesta básica sobe em 15 capitais, aponta Dieese

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Moradores de Itapevi (SP) recebem cestas básicas entregues pela prefeitura
Moradores de Itapevi (SP) recebem cestas básicas entregues pela prefeitura Foto: Felipe Barros/ExLibris/Secom-Prefeitura de Itapevi-SP (16/03/2018)

Beatriz Puente*, da CNN, no Rio de Janeiro

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O clima seco, a elevação do preço do petróleo e aumento das exportações foram os três principais fatores de aumento do custo da cesta básica de alimentos em ao menos 15 capitais no mês de julho, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As maiores altas foram registradas em Fortaleza (3,92%), Campo Grande (3,89%), Aracaju (3,71%), Belo Horizonte (3,29%) e Salvador (3,27%). Apenas Brasília (-0,45%) e João Pessoa (-0,70%) registraram baixa.   

Os produtos que puxaram essa alta foram o açúcar, o café em pó e o tomate. A economista Patrícia Costa, supervisora da Pesquisa da Cesta Básica, explicou que o clima seco e as baixas temperaturas foram os principais responsáveis por esse aumento nas 15 cidades. A cesta mais cara do Brasil é a de Porto Alegre, que atingiu R$ 656,92. A composição varia de 12 a 13 itens, de acordo com a região do país.   

“Você tem uma oferta reduzida do açúcar devido ao clima seco e a entressafra no Norte e Nordeste. Além disso, o Brasil vem exportando muito açúcar, o que diminui a demanda e o preço aumenta. A geada e o frio vêm trazendo prejuízos para a safra desse ano e ano que vem no café. O tomate também sofre porque ele demora mais para maturar no frio”, pontuou Costa.  

A expectativa, segundo a supervisora da pesquisa, é que os preços desses produtos continuem a subir de preço nos próximos meses. Ela ressaltou que, além do impacto climático, há também uma baixa demanda no país por conta da alta da inflação, que encarece serviços básicos.   

“Ainda temos problemas na oferta de alguns produtos, principalmente pelo clima e pelas exportações. Mas a demanda interna também está bem enfraquecida. Com isso, as pessoas têm menos poder de compra por conta do aumento da inflação. A gente vem observando aumento no preço dos alimentos, na conta da energia elétrica, no gás e tudo faz com que as famílias brasileiras, principalmente de baixa renda, tenham menos dinheiro para os alimentos. Em agosto a gente tem ainda a influência da geada, com impacto muito negativo nas lavouras”, explica a economista.  

O Dieese também estimou que o salário mínimo necessário para alimentar uma família de quatro pessoas deveria ser equivalente a R$ 5.518,79, valor que corresponde a 5,02 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100.  

*Sob supervisão de Stéfano Salles

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