Produção e venda de veículos que dispensam uso de combustíveis disparam no país

Pandemia, alta no preço dos combustíveis e preocupação com emissões de carbono são alguns dos fatores que impulsionam o mercado

Segundo o diretor de Infraestrutura da ABVE, procura por veículos elétricos têm aumentado ao longo dos três últimos anos
Segundo o diretor de Infraestrutura da ABVE, procura por veículos elétricos têm aumentado ao longo dos três últimos anos Pixabay

Helena VieiraNathalie Hanna Alpacada CNN

no Rio de Janeiro

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A produção e venda de veículos que não são movidos a combustíveis, como bicicletas e carros elétricos, têm sido cada vez mais impulsionadas no Brasil.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o mercado de bicicletas deve crescer 17,4% neste ano em comparação ao ano passado.

O setor de veículos elétricos também está otimista. Segundo a Associação Brasileira dos Veículos Elétricos (ABVE), a previsão é de 80% de crescimento em 2022.

De acordo com o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, o aumento da procura começou durante a pandemia, período em que as pessoas buscavam atividades para fazer fora de casa.

“Vimos que nos últimos dois anos houve um crescimento acelerado da demanda da população brasileira. Como as pessoas não podiam viajar, ir pra academia, elas tiveram que aumentar as atividades individuais ao ar livre e encontraram isso nas bicicletas”, disse o vice-presidente.

“Tudo isso ajudou a impulsionar a indústria e aumentar essa aceleração na demanda, que vai ter um crescimento contínuo.”

Da mesma forma que as bicicletas, a Associação Brasileira dos Veículos Elétricos (ABVE) afirma que o crescimento tem sido constante.

De acordo com a entidade, as vendas de veículos eletrificados no Brasil tiveram o melhor mês de fevereiro da série histórica, o que equivale a um aumento de 147% sobre fevereiro de 2021 (1.389) e de 34% sobre janeiro de 2022 (2.558).

Segundo o diretor de Infraestrutura da ABVE, Márcio Severine, a procura por veículos elétricos têm aumentado ao longo dos três últimos anos.

Para ele, os fatores principais são a conscientização da emissão de carbono, que passou a ser um assunto diário, e o aumento dos preços do combustível, que tem impulsionado o mercado.

“Quando você passa a comparar um preço de um carro elétrico, é necessário olhar o custo total da operação. Ou seja, quando se soma os impostos, custo de manutenção, o preço do veículo e do combustível, o cliente repara que os eletrificados são muito mais vantajosos”, ressalta.

“Em um carro comum, com um tanque cheio, você gasta cerca de R$250. Mas, com o elétrico, seu custo diminui para cerca de R$15. Então a diferença no custo total impacta no resultado final.”

Para Gazola, a alta no custo da gasolina também vai ajudar a impulsionar as vendas das bicicletas.

“O aumento do combustível é recente, mas é mais um fator que vai afetar o mercado de uma forma positiva. Tudo depende da distância e deslocamento. Para os trajetos mais curtos, as pessoas começaram a adotar as bicicletas, e isso vai ser um movimento constante”, destaca.

O diretor de Infraestrutura da ABVE acredita que o país precisa estimular o ramo para que haja um aumento na produção de veículos elétricos.

Apesar do país não ter uma grande estrutura nessa área, Severine afirma que o Brasil tem grande potencial de crescimento e pode ultrapassar os outros países.

“Esses incentivos seriam importantes para a indústria fazer os investimentos necessários para atuar fortemente no setor elétrico no Brasil. Hoje, a maioria dos veículos são importados. Então, as empresas estão tendo uma restrição com os veículos que podem trazer para o Brasil”, avalia Severine.

“Por falta de peças, eles vão montar menos lá fora e vão trazer menos produtos para cá. O país sempre foi exportador de veículos, nós temos vocação para isso. Gerando incentivos adequados, o nosso país vai conseguir produzir sozinho.”

Além das bicicletas convencionais, Gazola apontou para o aumento nas vendas de bicicletas elétricas.

O vice-presidente da Abraciclo declarou que, mesmo com os preços mais caros, a procura por esse meio de transporte vai continuar em alta.

“Tivemos um aumento de 2% no segmento de bicicletas elétricas. O percentual é pequeno, mas está crescendo muito mais que os outros segmentos”, aponta.

“Esse ano elas têm potencial de crescer aproximadamente 40% comparado com o ano passado, não só por conta do interesse de um novo tipo de locomoção, mas também pelos modelos. O grande desafio do mercado será em fabricar bicicletas elétricas que caibam no bolso do consumidor.”

Falta de insumos

Nos últimos dois anos, as indústrias apresentaram uma grande falta de insumos. Entre os motivos estão a própria pandemia, que fez com que muitas indústrias de base fechassem, e a alta do dólar que tornou os insumos importados mais caros e deixou o mercado internacional mais atrativo.

Diante da grande demanda, a Abraciclo afirmou que a carência de matéria-prima prejudicou a taxa de crescimento no ramo de bicicletas. Gazola afirma que mesmo com o problema de não ter peças, há indícios de um grande crescimento para este ano.

“Nós não crescemos tanto por conta da falta de insumos, que foi o principal gargalo para a retomada do nosso segmento. Desde o ano passado sofremos com o abastecimento de peças e componentes, mas conseguimos resolver isso de forma parcial”, disse o vice-presidente.

“Esse ano começamos com um melhor equilíbrio, mas estamos no período de baixa demanda. No segundo semestre é quando começamos, de fato, a atender eventos maiores. Então os números vão entrar em ascensão a partir do meio do ano.”

De acordo com Severine, as vendas dos eletrificados estão crescendo, exponencialmente, dois dígitos ao ano.

A previsão do mercado, segundo ele, é um aumento de 80% na produção para 2022, já contando com a falta de insumos. Porém, essa ausência de peças impede que o setor cresça ainda mais.

“Essa falta tem sido ruim para o mercado, até para os veículos elétricos, que o principal insumo, hoje, é a bateria do carro. Isso pode virar um freio. Estaríamos recebendo menos carros do que a demanda que temos hoje. O crescimento vai estar limitado pela oferta de veículos, não pela procura”, avalia o diretor.

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