Projeção de crescimento do PIB Agropecuário cai para 1,7%, diz Ipea

Eventos climáticos adversos afetaram as projeções feitas para o setor

Dado representa o quinto ano consecutivo de crescimento do setor agropecuário
Dado representa o quinto ano consecutivo de crescimento do setor agropecuário REUTERS/Inaê Riveras

Beatriz Puenteda CNN*

no Rio de Janeiro

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta quinta-feira (26), a nova previsão do valor do PIB do setor agropecuário para este ano e para 2022. O crescimento de 2,6% estimado em junho foi revisado e deve ficar menor em quase um ponto percentual: 1,7%. Mesmo com a queda na expectativa, o dado representa o quinto ano consecutivo de crescimento no setor.

As projeções do Ipea para o PIB Agropecuário buscam analisar o cenário econômico esperado exclusivamente para o setor, e são calculadas a partir de dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) e da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, da produção de Ovos de Galinha e Leite.

O ajuste foi motivado principalmente por questões climáticas que prejudicaram as safras e as estimativas de produtividade. A ocorrência do fenômeno La Niña de forma mais severa prejudicou a oferta de produtos como o milho (-11,3%) e café (-21%). Além disso, houve redução da oferta de carne bovina para o abate em 1%.

O desempenho positivo de 1,7% nas plantações foi sustentado pelas altas nas produções de soja (9,8%), trigo (36,0%) e arroz (4,1%). Na produção animal, o crescimento de 7,7% na exportação de suínos para a China fez com que o índice geral para as proteínas ficasse em 1,8%.

Já a previsão para 2022, realizada com base nas primeiras informações disponibilizadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de que haja um crescimento de 3,3% no PIB do setor agropecuário. A expectativa é de recuperação de culturas que foram prejudicadas este ano e um novo recorde da safra de soja. Também é esperado aumento do abate de bovinos.

A estimativa de crescimento para o próximo ano é impulsionada também pela previsão de um fenômeno La Niña mais brando na segunda metade do ano, com chuvas mais regulares nas culturas de verão e temperaturas mais amenas no inverno.

*Sob supervisão de Stéfano Salles

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