Saque de R$ 1.000 do FGTS é boa opção para investir; Tesouro rende até o triplo

O governo anunciou a liberação de novo saque emergencial do fundo de garantia; valores ficarão disponíveis entre 20 de abril e 15 de junho,

Selic é a taxa básica de juros do país e serve de piso para a remuneração de toda a renda fixa
Selic é a taxa básica de juros do país e serve de piso para a remuneração de toda a renda fixa Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Juliana Eliasdo CNN Brasil Business

em São Paulo

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Com os juros em alta no país, o novo saque emergencial de até R$ 1.000 que será liberado do FGTS é uma boa oportunidade para investir.

“No nosso cenário atual, é uma ótima possibilidade para investir, dado que a Selic está alta e o retorno do FGTS é de apenas 3% ao ano”, disse a educadora financeira Cintia Senna, da DSOP Educação Financeira.

A Selic é a taxa básica de juros do país e serve de piso para a remuneração de toda a renda fixa. Atualmente ela está em 11,75% e deve subir ainda até a faixa dos 12% ou 13% nos próximos meses.

Uma simulação feita por Senna mostrou que, por conta da diferença grande, usar os mesmos R$ 1.000 para investir no Tesouro Direto ou em um CDB pode render o triplo do FGTS em um ano.

Uma aplicação de R$ 1.000 no Tesouro Selic, por exemplo, a opção mais básica dos títulos públicos, renderia R$ 94 ao fim de um ano. Em um CDB que pague 100% do CDI, taxa muito similar à Selic, renderia R$ 93,20.

Ambos consideram a Selic a 11,75% e o desconto do imposto de renda sobre os rendimentos, de 20% para esse prazo – para prazos maiores, o IR fica menor.

A remuneração de ambos, porém, deve ainda aumentar conforme a Selic continue subindo. Também é possível encontrar juros mais altos em títulos com prazos mais longos, tanto na Tesouro Direto quanto no CDBs, bem como em LCAs e LCIs.

O Fundo de Garantia, por sua vez, tem os juros sempre fixos em 3% mais a TR, uma pequena taxa de poucos decimais calculada pelo Banco Central. Com isso, os mesmos R$ 1.000 dão um retorno próximo de R$ 30 em um ano.

Senna lembra, porém, que já há alguns anos o FGTS redistribui parte de seu lucro para os cotistas, o que ajudou a turbinar um pouco os rendimentos do fundo.

Os valores variam de acordo com o lucro de cada ano e o quanto dele o governo decide distribuir, e ainda não estão fechados nem para 2021 e nem para 2022.

No ano passado, foram distribuídos R$ 8,1 bilhões a mais em lucros, referentes a 2020, divididos entre todas as contas existentes no fundo, o que deu aos trabalhadores o equivalente a um ganho extra de 1,9% – ou seja, uma remuneração total de 4,9%.

Para um valor de R$ 1.000 guardado no FGTS, seria um rendimento de R$ 49 em um ano.

“Mesmo somando o valor dos lucros, o rendimento do FGTS ainda continua menor do que temos em outras opções, que oferecem segurança e estão com um bom retorno”, disse Senna.

Por fim, com o retorno no meio do caminho entre o FGTS e os títulos públicos ou CDBs, a poupança pagaria, em um ano, R$ 61,70 para os mesmos R$ 1.000. A remuneração dela atualmente é fixa em 6,17%.

Nem o FGTS e nem a poupança têm desconto de impostos sobre os rendimentos.

“A pessoa pode não pegar o dinheiro do FGTS [do resgate emergencial], há essa opção, mas, mesmo que ela não tenho no que usar, use pelo menos para ganhar um pouco mais”, disse Senna, da Dsop. “Ela pode ganhar até R$ 94 em vez de R$ 30.”

A educadora financeira acrescenta que a liberação extraordinária de parte do FGTS é também uma ótima oportunidade de começar as primeiras reservas para aqueles que nunca conseguiram poupar

“Conseguir guardar dinheiro é uma realidade que a maioria dos brasileiros ainda não tem, então a pessoa pode aproveitar esse recurso que não estava esperando para começar essa prática”, disse Senna.

Para esses fins, poupança, o Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária, que podem ser encontrados em bancos e corretoras, são ainda a melhor opção, de acordo com ela, já que podem ser resgatados a qualquer momento de acordo com os imprevistos que possam acontecer.

Como vai funcionar o saque de R$ 1.000

O governo anunciou na semana passada que vai liberar o saque de até R$ 1.000 do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) a trabalhadores com contas ativas ou inativas. O valor irá variar de acordo com os recursos disponíveis em cada conta.

A liberação do dinheiro acontecerá entre 20 de abril e 15 de junho, em um calendário escalonado de acordo com o mês de aniversário dos cotistas (veja o calendário mais abaixo).

O saldo será disponibilizado para todos os trabalhadores com conta no fundo de garantia, e creditado na Conta Poupança Social Digital, uma conta aberta automaticamente pela Caixa no nome de cada beneficiário.

O valor poderá ser movimentados por meio do aplicativo Caixa Tem para operações digitais de pagamento, como pagamento de boletos e contas, cartão de débito virtual ou compras por QR code.

Também poderá ser transferido pelo cotista para outras contas bancárias por meio do Pix, ou sacado nos caixas eletrônicos da Caixa ou nas casas lotéricas.

O trabalhador que não quiser resgatar o saque extraordinário do FGTS pode informar a opção pelo aplicativo do FGTS ou em uma das agências da Caixa.

Outra opção é simplesmente não retirar nem movimentar o dinheiro creditado na conta social da Caixa. Nesse caso, o dinheiro retornará integralmente para a conta da pessoa no FGTS após 15 de dezembro.

Confira o calendário para a disponibilização do saque emergencial:

  • Nascidos em janeiro recebem em 20/04 (quarta-feira)
  • Nascidos em fevereiro recebem em 30/04 (sábado)
  • Nascidos em março recebem em 04/05 (quarta-feira)
  • Nascidos em abril recebem em 11/05 (quarta-feira)
  • Nascidos em maio recebem em 14/05 (sábado)
  • Nascidos em junho recebem em 18/05 (quarta-feira)
  • Nascidos em julho recebem em 21/05 (sábado)
  • Nascidos em agosto recebem em 25/05 (quarta-feira)
  • Nascidos em setembro recebem em 28/05 (sábado)
  • Nascidos em outubro recebem em 01/06 (quarta-feira)
  • Nascidos em novembro recebem em 08/06 (quarta-feira)
  • Nascidos em dezembro recebem em 15/06 (quarta-feira)

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