Seca e geadas destroem safras e pressionam preços de alimentos, diz especialista

À CNN Rádio, o coordenador do centro de agronegócios da FGV, Roberto Rodrigues, disse que somente uma boa safra no ano que vem vai corrigir problema

Forte geada atingiu a cidade de Caxias do Sul (RS), na quarta-feira (28)
Forte geada atingiu a cidade de Caxias do Sul (RS), na quarta-feira (28) Foto: LUCA ERBES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Amanda Garcia,

da CNN Brasil, em São Paulo

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As geadas e até neve que atingem o país vão prejudicar ainda mais uma situação que já é “dramática” para a produção agrícola. Em entrevista à CNN Rádio nesta quinta-feira (29), o coordenador do Centro de Agronegócios da FGV, Roberto Rodrigues, disse que os problemas climáticos trazem consequências diretas para o consumidor.

“Tem o processo embutido que é a inflação e que afeta o consumidor de maneira irreversível. Quando a oferta é menor do que a procura, os preços sobem, em qualquer lugar do mundo”, analisou.

Segundo ele, só há um caminho a ser seguido para reverter a situação: uma boa safra. “Há boa vontade do produtor para aumentar a oferta. É preciso torcer para ter boa safra no Brasil e no hemisfério norte. Os estoques globais estão baixos, só uma grande safra no ano que vem vai corrigir o problema inflacionário.”

Roberto Rodrigues explicou que a seca foi “sem precedentes neste ano”, já que praticamente não houve chuva nas regiões agrícolas de março a junho.

Isso levou a uma perda de 15 milhões de toneladas de milho, por exemplo. A situação foi ainda mais exacerbada pela geada no começo de julho, que pegou as plantas já debilitadas pela falta de água. “Foi um desastre”, disse.

Os canaviais e cafezais também sofreram no sul de Minas Gerais e em São Paulo, além da produção de trigo, cevada, laranja e pasto – que afeta o gado. “O prejuízo é na quantidade e na qualidade para este ano e ano que vem”, avaliou.

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