Sem reforma do IR, precisaremos de outra solução para Bolsa Família, diz Guedes

Outro ponto incerto ainda no Orçamento de 2022, é a conta de R$ 90 bilhões que a União deve em precatórios

Entrevista coletiva do ministro da economia, Paulo Guedes
Entrevista coletiva do ministro da economia, Paulo Guedes Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Anna Russido CNN Brasil Business

em Brasília

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que se a reforma do Imposto de Renda não for aprovada, o governo precisará busca outra solução para financiar a ampliação do Bolsa Família. Por isso, mesmo que já tenha recursos para o programa, o governo federal mantém apoio à reforma do Imposto de Renda, que está travada na Câmara dos Deputados por falta de acordo.

“Seguimos apoiando (Reforma do IR) e é um caminho natural. Embora o recurso já exista, o carimbo é em outra coisa. Se não houver esse caminho, temos que buscar o carimbo em outra coisa. Por exemplo, eliminação de subsídios”, comentou em participação no evento da XP Investimentos, nesta quinta-feira (26).

Outro ponto incerto ainda no Orçamento de 2022, é a conta de R$ 90 bilhões que a União deve em precatórios. Para este, o Executivo encaminhou uma PEC que autorizaria o parcelamento do montante, no entanto, a matéria também ainda aguarda na Câmara dos Deputados. Assim, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022, que tem até 31 de agosto para ser entregue, deverá o pagamento dessa dívida.

“Ou seja, vai desaparecer o dinheiro todo um dia depois e todos verão a dramaticidade dessa questão. […] Se não tiver sido aprovado até lá, acho que um dia depois de ver o Orçamento (com precatórios) vai ser aprovado. Só pela dramaticidade do fato”, comentou Guedes.

Crise hídrica

O ministro também afirmou que houve uma conversa interna com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para segurar o aumento do preço da bandeira tarifária da conta de luz, em meio à crise hídrica enfrentada.

“A bandeira subiu e ia subir mais. Eu sugeri moderação: sobe um pouco mais, mas por mais tempo, porque precisamos repor os reservatórios. É melhor subir um pouco por mais tempo do que subir mais por apenas três meses”, avaliou.

Ainda assim, ele reconheceu os riscos da crise hídrica, mas reforçou ser apenas mais um desafio a ser enfrentado pelo governo Bolsonaro.

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