Separadas, Embraer despenca 13% e Boeing sobe em NY

No sábado, a Boeing anunciou a desistência do negócio com a brasileira

Letreiro da Embraer em Las Vegas, Nevada (21out.2019)
Letreiro da Embraer em Las Vegas, Nevada (21out.2019) Foto: REUTERS/David Becker

Fernando Nakagawada CNN

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As ações da Embraer negociadas em Nova York derretem após a desistência da Boeing em comprar parte da companhia brasileira. Nos negócios realizados antes da abertura do mercado tradicional, o papel da Embraer perdia 13,40% e era negociado a US$ 5,04 às 8h30. Esse tombo ocorre após a forte queda de outros 13% observada na sexta-feira. As ações da Boeing, ao contrário, sobem 0,60%, a US$ 129,74 no mesmo horário. 

No sábado, a Boeing anunciou a desistência do negócio com a brasileira. O acordo previa que a Boeing compraria 80% do negócio de aviação comercial da Embraer – onde são fabricados os jatos de passageiros – por US$ 4,21 bilhões. Também havia previsão de criação de uma nova companhia entre as duas para vender o cargueiro KC-390 pelo mundo. 

A reação da Embraer foi dura. A empresa brasileira acusa a companhia norte-americana de “rescindir indevidamente” o contrato e que a Boeing “fabricou falsas alegações como pretexto para tentar evitar seus compromissos de fechar a transação e pagar à Embraer o preço de compra de US$ 4,2 bilhões”.

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A Embraer diz ainda que “a Boeing adotou um padrão sistemático de atraso e violações repetidas ao acordo, devido à falta de vontade em concluir a transação, sua condição financeira, ao 737 Max (modelo que deixou de voar em todo o mundo) e outros problemas comerciais e de reputação”. Diante do quadro, a brasileira promete que “buscará todas as medidas cabíveis contra a Boeing pelos danos sofridos como resultado do cancelamento indevido e da violação do acordo”.

A partir de agora, espera-se uma guerra jurídica em busca de indenizações. O acordo celebrado em janeiro de 2019 prevê uma série de situações em que as partes são obrigadas a pagar à outra em caso de fracasso do negócio. Indenizações podem chegar a US$ 500 milhões – cerca de R$ 2,8 bilhões – e as multas alcançam US$ 100 milhões – mais de meio bilhão de reais.

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