Setor público consolidado tem superávit de R$ 64,7 bi em 2021, o primeiro desde 2013

De acordo com o Banco Central, os governos regionais foram os principais responsáveis pelo superávit

João Pedro Malar, em São Paulo
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O setor público consolidado do Brasil registrou em 2021 o primeiro superávit primário desde 2013, com um saldo positivo de R$ 64,7 bilhões, equivalente a 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (31).

De acordo com o BC, os governos regionais foram os principais responsáveis pelo superávit, com saldo positivo de R$ 97,7 bilhões em 2021. As empresas estatais também tiveram superávit, de R$ 2,9 bilhões, enquanto o Governo Central teve déficit de R$ 35,9 bilhões.

Apenas no mês de dezembro, o resultado primário do setor público foi de superávit de R$ 123 milhões. O Governo Central teve saldo positivo de R$ 13,9 bilhões, enquanto os governos regionais tiveram déficit de R$ 12,8 bilhões e as empresas estatais, de R$ 1 bilhão.

Em 2020, havia sido registrado um déficit de R$ 703 bilhões, equivalente a 9,41% do PIB, devido aos gastos necessários para combater a pandemia de Covid-19.

O resultado primário não leva em conta os chamados juros nominais, referentes aos juros de dívidas do setor público, que atingiram R$ 448,4 bilhões em 2021 ante R$ 312,4 bilhões em 2020.

Considerando esses valores, no chamado resultado nominal, o déficit foi de R$ 383,7 bilhões, ou 4,42% do PIB, e foi o menor valor desde 2013.

Em dezembro de 2021, o déficit nominal foi de R$ 54,2 bilhões. Os juros nominais subiram para R$ 54,4 bilhões, ante R$ 24 bilhões em 2020, um número influenciado pelo resultado das operações de swap cambial no período e pelo aumento da taxa Selic, segundo o Banco Central. No ano retrasado, o déficit nominal do setor público foi de R$ 1.015,4 trilhão, ou 13,60% do PIB.

A dívida líquida do setor público (DLSP) atingiu 57,3% do PIB do Brasil em 2021, uma redução de 5,3 ponto percentual em relação a 2020. O Banco Central afirma que a queda está ligada ao crescimento do PIB nominal, à desvalorização cambial no ano e ao superávit primário registrado.

No mês de dezembro, a relação DLSP/PIB subiu 0,2 ponto percentual, devido ao impacto dos juros nominais e da valorização cambial, segundo a autarquia.

No caso da dívida bruta do governo geral (DBGG), o ano de 2021 teve redução de 8,3 ponto percentual na relação com o PIB, totalizando 80,3%.

De acordo com o Banco Central, o resultado se deve ao crescimento do PIB, aos resgates líquidos de dívida, à incorporação de juros nominais e à desvalorização cambial. A relação DBGG/PIB caiu 9,8 ponto percentual em dezembro.

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