Startup cria mochila inteligente e transforma motoboys em anúncio ambulante

Ubert Eats, Nissan e Pernambucanas já anunciaram com a LedBox, que deve promover uma rodada de investimentos para escalar rapidamente

Mochila da Ledbox é conectada à internet e resistente à chuva
Mochila da Ledbox é conectada à internet e resistente à chuva Foto: Divulgação/Ledbox

Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Uma startup está transformando motoboys em anúncios ambulantes na capital de São Paulo. Mochilas equipadas com um painel de LED criam um novo canal de publicidade, enquanto os entregadores conseguem uma renda extra trabalhando com as campanhas nas costas. 

A mochila da Ledbox é tecnológica. Além do painel de LED de 40x40cm, a startup colocou conexão à internet, GPS, bateria e um acelerômetro para saber quando o equipamento está em movimento. Todo o aparato é monitorado por uma central capaz de dizer quantos painéis estão funcionando em tempo real e o que está sendo reproduzido em cada tela. 

Essas mochilas já reproduziram anúncios da Uber Eats, Nissan, Pernambucanas e Motorola. A Nissan usou o serviço para promover o lançamento do novo Kicks –o que parece razoável, já que vários motoristas podem ter sido atingidos pelo anúncio nos semáforos e corredores de São Paulo. 

Os clientes da Ledbox têm acesso a um painel de controle, que mostra onde está cada mochila com seu anúncio, quais regiões estão sendo mais impactadas e o número de inserções –os anúncios têm 10 segundos de duração e são entregues, no mínimo, 600 inserções por dia. 

Mapeando os dispositivos bluetooth de celulares e carros ao redor da mochila, a Ledbox faz estimativas de quantas pessoas estão sendo impactadas. Em quatro meses de operação, a startup diz ter impactado 13,5 milhões de pessoas com seus anúncios ambulantes rodando 17 mil quilômetros por mês. 

A Ledbox foi criada pelo peruano Daniel Callirgos, em sociedade com o goiano Douglas Evaristo. Em entrevista ao CNN Brasil Business, Callirgos conta que eles se inspiraram na ação do Uber nos EUA de colocar painéis de LED em carros. “Começamos a pesquisar diferentes mercados e percebemos uma oportunidade no setor de entregas”, conta. Depois, passaram um ano desenvolvendo hardware e software para começar a operação em fevereiro deste ano. 

A tecnologia da startup é capaz de rodar um anúncio em locais e horários específicos. Uma padaria pode fazer sua propaganda ser vista apenas no bairro onde está localizada. Já pizzarias podem anunciar apenas no período noturno, quando é feita a maior parte das vendas.

Callirgos explica que a Ledbox tem dois tipos de clientes: agências de publicidade, que sabem trabalhar com mídia externa, como relógios de rua e pontos de ônibus, e gerenciam contas de grandes empresas; e clientes de médio porte “que não têm verbas milionárias, mas querem divulgar seus restaurantes, padarias e lojas”. 

Ledbox
Os fundadores da Ledbox: Douglas Evaristo (à esquerda) e Daniel Callirgos
Foto: Divulgação/Ledbox

Entregadores selecionados 

Cerca de 900 entregadores já se cadastraram na plataforma da Ledbox para trabalhar com a mochila de LED nas costas e ganhar uma renda extra com isto. Porém, apenas 70 foram aprovados, por enquanto, e 50 estão rodando com os anúncios –30% são mulheres. 

A Ledbox vem tomando um cuidado especial para selecionar e treinar esses entregadores, já que eles vão carregar marcas nas costas e precisam lidar com um equipamento tecnológico e caro –o painel de LED é importado da China. 

Assim como Rappi, iFood e Uber Eats, a startup de publicidade faz questão de deixar claro que não há vínculo empregatício com os motoboys. “Eles são autônomos e trabalham com diferentes aplicativos, por isso podem usar qualquer tipo de mochila”, diz Daniel Callirgos.

Depois de ter seus documentos e histórico profissional aprovados, os motoristas passam por treinamentos teóricos e práticos para operar o equipamento e o aplicativo para fazer check-in e check-out do dia de trabalho. Depois disto, passam por um teste de duas semanas e, só então, são aprovados –ou não– para trabalhar com a Ledbox. 

Os 50 entregadores que já rodam com o equipamento da empresa precisam cumprir uma carga semanal de 35 horas em movimento com a mochila. A remuneração é fixa pelo dia de trabalho, mesmo se o entregador supera o tempo mínimo estabelecido rodando. A Ledbox não abre o valor pago aos motoristas, mas Callirgos garante que a remuneração é “pouco mais” que um salário mínimo (R$ 1.100) no fim do mês. 

Sobre o feedback dos parceiros, o co-fundador da startup diz que ouve relatos de sensação de segurança. “Estamos colocando um painel de LED na moto, o que faz os motoristas os enxergarem com mais facilidade, diminuindo as chances de acidentes de trânsito. Eles ainda têm um GPS integrado e se algo acontecer conseguimos acionar rapidamente a polícia”, explica. 

Lei Cidade Limpa 

A cidade de São Paulo tem uma lei que regulamenta a publicidade em outdoors, prédios e lojas. Conhecida como Cidade Limpa, a Lei 14.223 está em vigor há 15 anos e é conhecida entre os habitantes da capital paulista. 

Para não operar em desconformidade com a legislação, a Ledbox contratou uma equipe de advogados para verificar se seu produto está dentro da lei. Segundo eles, não há irregularidades na operação. 

“A própria lei prevê a chegada de novas tecnologias. Estamos em conformidade com a legislação, até porque nossos clientes não querem participar de algo ilegal”, diz o peruano. 

Callirgos conta que a empresa se esforça para se aproximar da prefeitura de São Paulo com o objetivo de ajudar em uma possível atualização da lei.

Mais dinheiro chegando

Para colocar a empresa de pé, Daniel Callirgos e Douglas Evaristo tiraram dinheiro do próprio bolso, mas também contaram com investidores-anjo, que injetam capital na companhia em troca de parte das ações. 

Depois do início da operação, a startup tem média de 100% de crescimento mensal das receitas e um produto que ainda não existia na América Latina. 

Tudo isso será usado como argumento para atrair mais investimentos. No segundo semestre, a Ledbox vai fazer uma rodada de investimentos para conseguir ganhar escala e acelerar o crescimento da empresa.

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