Foodtech NotCo, do ‘Não Leite’, recebe aporte de R$ 450 mi e mira em expansão

Novo investimento, que teve participação de confundador do Twitter, será usado para expandir operações na América Latina e Estados Unidos

NotCo: empresa chilena recebe nova rodada de investimentos e capta US$ 85 milhões
NotCo: empresa chilena recebe nova rodada de investimentos e capta US$ 85 milhões Foto: Divulgação/NotCo

Paula Bezerra,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Faz bigode de leite, tem espessura de leite e até cheira como leite, mas, não é leite. É assim que a startup chilena NotCo posiciona seus produtos que são feitos 100% de origem vegetal: ‘deixamos os animais de fora da cadeia alimentar sem comprometer o gosto do produto.”

A estratégia tem dado bons frutos: nesta quarta-feira (09), a empresa anunciou a captação de US$ 85 milhões (R$ 450 milhões) em nova rodada de investimento. Com o montante, a NotCo soma US$ 118 milhões em aportes, algo como R$ 630 milhões. 

Parte da série C de investimentos, a rodada contou com fundos de peso como Future Positive, veículo de investimento de Fred Blackford e Biz Stone, cofundador do Twitter, além de L-Catterton, que já investiu na rede de mercados St Marchê e é conhecido mundialmente por aportar em marcas de bens de consumo. 

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Agora, diante do novo aporte, a empresa tem como foco expandir os negócios da NotCo na América Latina e Estados Unidos – além de transformar o Brasil no principal mercado da América do Sul. 

“Com o aporte, conseguiremos fortalecer a empresa e continuar expandindo. Agora, contrataremos mais pessoas, investiremos em trade marketing, pesquisas, inovação, bem como a entrada em novos países”, afirma Luiz Augusto Silva, presidente da NotCo no Brasil. 

No Brasil desde meados de 2019, a empresa conta, atualmente, com 40 colaboradores no país focados apenas nos negócios da empresa. Para questões como produção de produto, logística e distribuição, a NotCo conta com parceiros terceirizados. Com o aporte, a tendência é que o escritório no Brasil cresça cerca de 50%. 

“De 2019 para cá, já conseguimos estruturar a companhia e nacionalizamos todos os produtos e barateamos o custo dos mesmos. Agora, o desafio é outro: como cresceremos e aumentaremos a distribuição dos nossos produtos”, diz o executivo, que já teve passagens por multinacionais como Unilever e Danone. 

Embora não divulgue informações de sua receita, Silva afirma que nem mesmo a pandemia freou o avanço da empresa no país – que, de acordo com o executivo, segue contante.

Agora, com o novo aporte, a empresa pretende olhar ainda mais para o portfólio de produtos; aumentar da distribuição e execução, seja por meio do varejo ou do food service; e, por fim, investimento em brand awareness.

Isso porque, mesmo sendo capaz de distribuir por todo Brasil, a empresa ainda tem nas regiões Sudeste e Sul os seus principais mercados. 

“Como novo aporte, vamos intensificar nosso esforço comercial para ampliar a nossa presença nos pontos de vendas em todas as regiões. Enquanto isso, aumentamos a nossa presença no e-commerce, que é um canal em franca expansão no Brasil. Já estamos presentes na Amazon e diversos marketplaces e buscamos revendedores com atuação em outras regiões”, conta Silva.

Desta maneira, a empresa quer transformar o Brasil em seu principal mercado até o fim do ano que vem. Por enquanto, a liderança está com o Chile e a NotCo também atua na Argentina. Os Estados Unidos são outra fronteira que a empresa quer conquistar. 

NotCo e dark kitchen: ‘why not?’ 

Prestes a completar um ano no país, a empresa se deparou com um desafio um tanto quanto inesperado: enquanto planejava expandir sua presença em mercearias e, até mesmo, fazer degustação dos produtos para os clientes, a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil e, com ela, as regras de isolamento social. 

E, se antes era comum encontrar produtos eletrônicos e de linha branca em canais de e-commerce, agora é possível até mesmo comprar o “Not Milk” e “Not Mayo”. Para driblar os efeitos da pandemia, a NotCo passou a oferecer seus produtos por e-commerce, seja no site da marca, ou em canais como Amazon e de empresas focadas na comercialização de alimentos. 

Presidente da NotCo no Brasil
Luis Augusto Silva, presidente da NotCo no Brasil
Foto: Divulgação/NotCo

Além disso, entrou no mercado de dark kitchen, ou ghost restaurant, cujo foco é ter apenas um estabelecimento de serviço de alimentação para delivery, por meio de um restaurante em Perdizes, zona oeste de São Paulo.

O local, batizado de Why Not, foi inaugurado em medos de julho e atende um raio de 5 km. Feita em parceria com a empresa de delivery Ifood, a estratégia tem como objetivo promover o hambúrguer de origem vegetal, NotBuger, para a população que não tem ‘receio’ de experimentar receitas que não são feitas a base de carne. 

“Lançamos com sucesso produtos em três categorias de alimentos, além de um e-commerce e restaurante próprios para proporcionar uma experiência gastronômica deliciosa e inovadora para o consumidor brasileiro”, diz Silva.

No cardápio da Why Not, é possível encontrar sanduíches de R$ 25, acompanhamentos de “frango” vegano e, até mesmo, milk shakes feitos por meio do “Não Sorvete” produzido pela marca. Um dos carros chefes da foodtech, a No Mayo, também está no cardápio. 

Mercado e desafios 

Em constante expansão, o mercado de “não carne” tem ganhado mais adeptos e notoriedade nos últimos anos. A última pesquisa do Ibope, por exemplo, revelou que cerca de 15% da população brasileira se considera vegetariana. Além disso, 55% se enquadra no “flexiteriano”, termo usado para definir a pessoa que consome carne em até três vezes na semana. 

Em busca de uma alimentação mais saudável e sustentável, os flexiterianos têm aumentado o mercado alternativo à proteína animal. Um estudo da UBS Investiments, por exemplo, mostra que a sociedade está a beira de uma revolução agrícola. 

De acordo com o estudo, a forma como cultivamos, transportamos e consumimos alimentos será impulsionada por cinco megatendências, sendo elas: a política de escassez; o consumidor da nova era; foco em saúde e bem-estar; avanços digitais; e, por fim, a busca por uma vida mais sustentável.

Essa mudança de comportamento do consumidor pode fazer com que o segmento de proteínas à base de plantas tenha um crescimento anual de mais de 20% até 2030, chegando a um montante de US$ 85 bilhões. Mais que isso: o chamado “inovação alimentar” pode se tornar um mercado de US$ 700 bilhões em 2030 – um salto cinco vezes maior dos US$ 135 bilhões atuais.

“Um dos grandes desafios é mudar a chave para a memória afetiva alimentar e demonstrar que é possível comer bem, saudável e com a mesma sensação por meio de novas experiências”, diz Silva. “Se as pessoas não querem mudar o que elas comem, a nossa missão é oferecer produtos novos que estejam próximos do que elas já estão habituadas”, completa.

Além disso, Silva também pontua a tributação no país como uma grande barreira a ser ultrapassada. Segundo o executivo, as altas taxas de impostos cobradas aos produtos fazem com que eles sejam menos acessíveis aos brasileiros.

“Por isso queremos ampliar a distribuição. Já conseguimos reduzir o preço do Not Milk de R$ 17,90 para R$ 13,99. Agora é expandir as entregas e melhorar o custo”, completa.  

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