Taxa Referencial (TR): saiba o que é e quais investimentos ela influencia

TR ainda é usada para investimentos relacionados a fundos imobiliários e títulos de capitalização, além da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia

Poupança acumula queda desde setembro de 2020
Poupança acumula queda desde setembro de 2020 Foto: Tirelire_Avenue/Pixabay

Raphael Coraccinicolaboração para o CNN Brasil Business

em São Paulo

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A Taxa Referencial (TR) é conhecida pelos brasileiros como um dos componentes que definem a rentabilidade da poupança e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Em outros tempos, ela teve um papel semelhante ao da Selic (taxa básica de juros), de instrumento para controle das taxas de juros e da inflação.

Hoje, além da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia, a TR ainda é usada para investimentos relacionados a fundos imobiliários e títulos de capitalização. Saiba como ela é calculada e como impacta essas aplicações.

O que é a Taxa Referencial (TR)?

Ela foi criada nos anos 1990 e exercia um papel semelhante ao da Selic na tentativa de controlar a inflação por meio das taxas de juros da economia. Atualmente, perdeu a relevância para o cálculo dos juros, mas se mantém como um importante indexador do Banco Central para alguns investimentos muito comuns entre os brasileiros, como a poupança.

Como é definida e calculada?

O valor da TR é calculado diariamente e é sempre um pouco menor que o da Taxa Básica Financeira (TBF). Esta, por sua vez, é calculada com base nas taxas médias praticadas entre os investidores nas negociações de títulos públicos prefixados, que são as Letras do Tesouro Nacional (LTN).  As operações que determinam o valor da TBF e, consequentemente, da TR são registradas no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

A partir de 2018, a TR passou a ter como referencial a taxa média dos CDBs (certificados de depósito bancário) e dos RDBs (recibos de depósitos bancários) prefixados emitidos nos últimos 30 dias.

A taxa pode ser calculada pelo site do Banco Central.

Impacto da TR sobre a poupança

Desde 2012, a poupança oferece duas possibilidades de rendimento. Em ambos os casos, a TR é usada como indexador junto com a Selic.

Para momentos em que a Selic está igual ou abaixo de 8,5%, a conta que deve ser feita para calcular a rentabilidade do investimento é 70% da Selic mais a taxa referencial. Porém, se a Selic estiver acima de 8,5%, a conta é outra. A rentabilidade será de 0,5% sobre o valor depositado mais a TR.

Anteriormente, havia apenas um cálculo para a rentabilidade da poupança. A remuneração era de 0,5% ao mês mais a TR. Os contratos feitos antes de maio de 2012 ainda obedecem a essa regra.

FGTS

A rentabilidade do FGTS é de 3% ao ano sobre o valor depositado mais a TR.

Títulos de capitalização

Os títulos de capitalização também consideram a TR, mas, ao contrário da poupança, a maioria deles tem a Taxa Referencial como única usada para atribuir rentabilidade, e ela só é aplicada quando o título fica depositado até o vencimento.

Financiamento imobiliário

Apesar de os contratos de financiamento imobiliário estarem mais atrelados ao IGP-M, a TR ainda é usada em alguns casos para ajustar os valores cobrados para esse tipo de crédito. Nesse caso, soma-se os juros do financiamento à TR do período.

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