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    Taxar grandes fortunas é caminho para reduzir desigualdade social, diz Feldmann

    Relatório da ONU mostrou que índice da desigualdade piorou no país com a pandemia

    Vista aérea de região da periferia em São Paulo.
    Vista aérea de região da periferia em São Paulo. Foto: Amanda Perobelli - 02.abr.2020/Reuters

    Por Amanda Garcia com produção de Alessandra Ferreira, da CNN

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    Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento apontou que há um agravamento da desigualdade com a pandemia e baixo crescimento do Brasil e dos países vizinhos da América Latina.

    Em entrevista à CNN Rádio nesta quarta-feira (23), o professor de economia da FEA-USP, Paulo Feldmann, disse que o resultado “é totalmente esperado”, mas que há caminhos que podem ser adotados para reverter a situação.

    “O Brasil vem apresentando uma piora na questão da desigualdade há alguns anos, nunca estivemos muito bem, sempre fomos um país desigual, mas, como a ONU mostrou, os 10% mais ricos têm 57% da renda total”, explicou.

    O professor defendeu que há várias medidas que podem ser adotadas – a maior parte delas passa por uma reforma tributária. “Somos um país em que os muito ricos pagam muito pouco imposto, os muito ricos pagam muito menos do que a classe média, ou do que a classe mais pobre, tem que mudar isso, é uma injustiça.”

    Para Feldmann, uma possibilidade é o imposto sobre heranças e também a tributação entre os mais ricos. Ele acredita que o projeto de reforma tributária que tramita no Congresso, no momento, “não toca na ferida”.

    A taxação de grandes fortunas, de acordo com o professor, não causará escape de pessoas para fora do país, como mostrado em nações como a França, que, para ele, é “um exemplo mundial de país que superou a desigualdade social”.

    “Falta visão para nossos governantes de não perceberem que a questão não é ideológica, que é coisa de comunista, mas é querer o bem do país, que haja consumo, que gere emprego, atividade industrial, uma série de coisas”, analisou.

    Ele também reforçou a importância de uma educação de qualidade para a parcela mais pobre da população: “Algo importante é a questão educacional, porque os pobres precisam de acesso à educação de qualidade, para poder ascender, ter melhor remuneração. Hoje, os ricos ou muito ricos que têm condições de pagar as melhores escolas e faculdades.”

    Segundo Feldmann, a pandemia “piorou” significativamente a situação. “Caiu a renda da população mais pobre ou ficaram desempregados ou as atividades de pico não puderam acontecer, e o auxílio emergencial foi muito pequeno. Os números de 2021 devem mostrar que a situação deste ano piorou muito.”

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