Entenda cenário das exportações da carne brasileira após impasses com China e EUA

Após suspeitas de "vaca louca" e veto da China, associação dos EUA também pede às autoridades do país que suspendam a importação de carne do Brasil

Produção de carne bovina
Produção de carne bovina REUTERS/Paulo Whitaker

Fabrício JuliãoJuliana Eliasdo CNN Brasil Business*

em São Paulo

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A carne brasileira tem sofrido com as exportações. Os dois casos da “doença da vaca louca” em frigoríficos brasileiros fizeram com que alguns países parassem de importar o produto do Brasil.

A decisão não mudou nem mesmo após o Ministério da Agricultura ter afirmado que o consumo de carne pode continuar normalmente, pois não há riscos.

O principal embargo veio da China, atualmente o principal comprador brasileiro. O embargo chinês já dura mais de dois meses e traz impactos diretos na economia do país.

Mais recentemente, foi a vez de uma associação de produtores dos Estados Unidos pedir às autoridades norte-americanas que suspendam as importações da carne brasileira, em uma carta enviada na sexta-feira (12) ao Departamento de Agricultura do governo do país (USDA).

“É hora de manter a carne in natura brasileira fora deste país até que o USDA confirme que o Brasil cumpre os mesmos padrões de segurança alimentar e dos consumidores que aplicamos a todos os nossos parceiros comerciais”, disse, em nota, Ethan Lane, vice-presidente para assuntos governamentais da National Cattlemen’s Beef Association (NCBA), associação que reúne os pecuaristas norte-americanos.

Citando relatórios da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), a NCBA afirma que o Brasil demorou mais de oito semanas para reportar os dois casos suspeitos de vaca louca.

“A OMSA exige que os países reportem em até 24 horas qualquer caso de doença animal com relevância internacional relativas a emergências sanitárias”, diz a nota da associação.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o volume de exportações de carne bovina brasileira caiu 43% no mês de outubro quando comparado ao mesmo período de 2020.

A OMSA concluiu há algumas semanas uma investigação sobre os dois casos de vaca louca e apontou que não há risco de proliferação da doença, segundo o professor de economia do Insper, Roberto Dumas, em entrevista à CNN.

Essa também é a imagem que o governo e o Ministério da Agricultura tentam passar aos países importadores.

A ministra Tereza Cristina divulgou na quarta-feira (17), por meio do Twitter, que a Rússia comunicou a abertura de cota de 300 mil toneladas de carne que terão tarifa zero de importação por seis meses. A iniciativa russa começa a valer nos próximos dias, não apenas para fornecedores do Brasil, mas qualquer frigorífico que tiver interesse pode pegar uma parte da cota para fornecer carne para a Rússia sem a taxa de importação.

O país também tinha restringido o acesso à carne brasileira assim que os casos da doença da vaca louca foram identificados, mas depois do anúncio de ontem parece estar disposto a fazer negócios com o Brasil novamente.

A China, porém, não seguiu o caminho dos russos e continua com o bloqueio. Em entrevista à rádio Cultura FM na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro disse que o bloqueio chinês “não é problema do relacionamento com a China ou com o presidente Xi Jinping”.

“Não existe isso, já foi resolvido. Não é porque eu não gosto de tal presidente que eu vou deixar de fazer negócios com tal país. Se for mais barato, eu vou comprar dele”, afirmou o presidente.

Em meio a esse imbróglio, o Ministério da Agricultura orientou os frigoríficos brasileiros a suspender temporariamente a produção de carne para a China.

Segundo apurou a CNN Brasil com integrantes da pasta, um ofício foi expedido pelo governo federal permitindo aos produtores o armazenamento da produção em contêineres refrigerados.

Para evitar o acúmulo da produção, a pasta também orientou os frigoríficos brasileiros a vender a carne bovina ao mercado interno ou a outros países importadores do produto.

Além do Brasil, outros países também foram impedidos de vender carne para a China. Após um caso atípico de vaca louca em 2020, a Irlanda também enfrentou sanções chinesas. Outro país que recebeu veto foi o Reino Unido, em 29 de setembro deste ano.

*Com informações de Ligia Tuon, do CNN Brasil Business, Gustavo Uribe da CNN, em Brasília, e Estadão Conteúdo

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