'Bebezão': planeta ainda em formação é o mundo mais jovem já descoberto pelos astrônomos; conheça Elias 2-24 b
Com massa similar à de Júpiter, exoplaneta tem menos de 1 milhão de anos e está inserido em um disco de gás e poeira que ainda envolve a estrela hospedeira

Astrônomos da Nasa confirmaram a existência do planeta mais jovem identificado até hoje: o Elias 2-24b. A descoberta foi divulgada pela agência na quarta-feira (16).
O exoplaneta tem menos de 1 milhão de anos e ainda está em processo de formação ao redor de sua estrela hospedeira. Ele está inserido em um disco de gás (disco protoplanetária) e poeira que envolve o corpo celeste e contém uma massa semelhante à de Júpiter.
Segundo os especialistas, o material do disco ainda está sendo incorporado ao planeta e os levam a conclusão de que o novo mundo ainda em uma etapa inicial de formação.
Animação retratando Elias 2-24 b. Material do disco está ativamente acumulando sobre o planeta de massa de Júpiter, que está situado em uma abertura proeminente no disco, apoiando a teoria principal da formação de planetas gigantes. Crédito: Observatório W. M. Keck/Adam Makarenko
O "bebezão" também desafia as teorias atuais sobre como os planetas se formam.
Pesquisadores acreditavam que um planeta com massa semelhante à de Júpiter levaria cerca de 5 milhões de anos para se formar a uma distância comparável à de Júpiter em relação ao Sol. O novo planeta, porém, é muito mais jovem e está localizado a uma distância de sua estrela cerca de 55 vezes maior do que a distância entre a Terra e o Sol.
Nossos modelos de formação planetária já tiveram dificuldades em explicar os detentores anteriores dos recordes do planeta mais jovem conhecido — um empate a quatro entre dois planetas orbitando a estrela PDS 70 e dois planetas orbitando a estrela WISPIT 2 — todos com mais de 5 milhões de anos. Elias 2-24 b nos mostra que mesmo nossos melhores modelos de formação planetária ainda estão faltando alguns processos importantes.
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Como o novo planeta foi descoberto?
Os estudos começaram há cerca de 10 anos atrás, quando observações do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile mostraram uma lacuna no disco empoeirado da jovem estrela. O Telescópio Muito Grande do Observatório Europeu do Sul, no Chile, então detectou um ponto fraco de luz nessa lacuna.
Com isso, os astronautas começaram a debater se aquilo se tratava de um planeta. Logo depois, a equipe procurou no Arquivo do Observatório Leck, em uma parceria financiada pela Nasa pelo Insituto de Ciência de Exoplanetas da agência.
Os pesquisadores encontraram observações em 2018 e 2020 e compararam as imagens ao longo do tempo. O comportamento observado por eles era compatível com o de um planeta, e não com uma estrela distante.
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Nova era de descobertas
O Telescópio Roman, que foi lançado no último dia 30 de agosto, possui uma alta tecnologia e mapeará 50 vezes mais o espaço do que o que o Hubble cobriu em seus 30 anos de operação.
Impulsionado por um campo de visão 100 vezes maior, a agência acredita que ele possa detectar planetas que são muito mais difíceis de ver por outros observatório.
A promessa é que o Roman encontre planetas em órbitas muito menores e que possa até ultrapassar o Elias 2-24b
"Normalmente ouvimos falar de telescópios funcionando separadamente, mas essa confirmação só foi possível usando múltiplos telescópios juntos. Elias 2-24b está no limite do que os telescópios atuais podem detectar, mas com novos instrumentos como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da Nasa, tais detecções devem se tornar mais fáceis", afirma Andrea Bernardi, doutoranda na Universidad Diego Portales, no Chile, que concentrou-se em suas observações sobre o novo exoplaneta.


