China planeja estufa na Lua para enfrentar frio extremo; entenda

Projeto quer ajudar robôs a resistirem à noite lunar e ampliar presença no satélite

Thomaz Coelho, da CNN Brasil, São Paulo
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Uma equipe ligada à Administração Espacial Nacional da China (CNSA) planeja construir uma estufa na superfície da Lua para auxiliar futuras missões de longa duração. A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (22) por engenheiros do programa espacial chinês.

Segundo a engenheira Wang Qiong, do Centro de Exploração Lunar da CNSA, a ideia é usar tecnologias de construção no solo lunar para criar uma estrutura capaz de proteger rovers e robôs das condições extremas da chamada “noite lunar”.

Esse período dura cerca de 14 dias terrestres e pode registrar temperaturas inferiores a -200 °C, o que representa um dos principais desafios para a exploração contínua do satélite natural.

De acordo com a pesquisadora, a estufa pode facilitar operações de longo prazo na Lua, permitindo maior resistência dos equipamentos e permanência de missões na superfície.

Wang também destacou avanços recentes do programa chinês com a missão Chang'e-6, que trouxe à Terra, em junho de 2024, cerca de 1,9 quilo de amostras do lado oculto da Lua — algo inédito até então.

As análises desse material ajudaram a revelar novos dados sobre a formação e evolução dessa região do satélite. A missão também contou com cooperação internacional, levando equipamentos científicos de países como França, Itália e da Agência Espacial Europeia.

China na Lua

A China só enviou robôs à Lua até hoje, mas essas missões destacaram as capacidades espaciais do país, que estão se aprimorando rapidamente e desempenharão um papel fundamental para atingir sua meta de enviar um astronauta à Lua até 2030.

Embora a China tenha mantido os detalhes em segredo, aqui está o que sabemos sobre o programa tripulado de exploração lunar do país.

A China está preparando todo o equipamento necessário para realizar um pouso tripulado. Em agosto passado, testou o módulo lunar que espera levar os primeiros chineses à Lua até 2030.

Os sistemas de subida e descida do módulo de pouso foram submetidos a uma verificação completa em um local na província de Hebei, projetado para simular a superfície lunar. A superfície de teste possuía um revestimento especial para imitar a refletividade do solo lunar, além de estar coberta com rochas e crateras.