Ciência é pouco valorizada, diz pesquisador entre os 100 influentes da Time
Luciano Moreira, reconhecido pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo por seu trabalho contra doenças transmitidas por mosquitos, pede valorização da ciência
O cientista Luciano Moreira, recentemente eleito pela revista americana Time como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, defendeu em entrevista ao CNN Prime Time a necessidade de maior valorização e investimento na ciência brasileira. Moreira ganhou reconhecimento internacional por seu trabalho no desenvolvimento de um método inovador para combater doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya.
O método desenvolvido por Moreira, chamado Método Wolbachia, utiliza uma bactéria natural para bloquear a transmissão de vírus pelo mosquito Aedes aegypti. "É um trabalho de mais de uma década, que a gente trabalhou com esse método chamado método Wolbachia, que é uma bactéria muito comum na natureza. E quando presente no Aedes aegypti, ela bloqueia os vírus que causam as arboviroses, o dengue, zika e chikungunya", explicou o pesquisador.
Segundo o cientista, o trabalho teve início na Austrália, onde ele participou da descoberta entre 2008 e 2009, sendo posteriormente trazido para a Fiocruz no Brasil entre 2011 e 2012. Desde então, foram anos de pesquisas em laboratório e em campo para ouvir a eficácia da estratégia. "A gente já tem colhido muitos resultados positivos em algumas cidades brasileiras. Hoje o método está em 15 países e no Brasil em 16 municípios que mostram dados muito interessantes, por exemplo, em Niterói, redução de 89% nos casos de dengue", destacou Moreira.
Sobre o reconhecimento pela revista Time, Moreira ressaltou que representa a perseverança da ciência brasileira. "Acho que é muito importante que os jovens cientistas que tenham um objetivo... que corra atrás disso, a gente tem muitos desafios no Brasil, a gente ainda, a ciência é pouco valorizada, precisa ser melhor valorizada, mais investida com ciência, porque com isso a gente vai realmente ter uma melhoria do país e poder projetar o que é feito aqui no país para fora", concluiu.
Como funciona o método Wolbachia
Diferentemente das abordagens tradicionais que buscam eliminar o mosquito, o método desenvolvido por Moreira permite que o Aedes aegypti continue existindo, porém sem a capacidade de transmitir os vírus. "É uma bactéria muito comum, é natural esse método, não teve nenhuma modificação genética, é só uma associação que não existia antes e o mosquito continua ali, mas a bactéria impede que esse vírus seja transmitido", explicou.
O pesquisador destacou que a iniciativa já apresenta resultados significativos em várias cidades. Além da redução de 89% nos casos de dengue em Niterói, Campo Grande registrou 63% menos casos da doença. Atualmente, o método está implementado em 16 municípios brasileiros e em outros 15 países.
Para expandir a aplicação do método no Brasil, foi criada em Curitiba a Wolbito, descrita por Moreira como "a maior fábrica do mundo para produzir mosquitos que tenham essa bactéria". A ideia é progredir com a expansão para mais 15 municípios brasileiros e, no segundo semestre, para dezenas de outras cidades.


