Ciência traça caminho para Brasil virar potência em terras raras até 2040

Estudo aponta recursos, mas desafios industriais podem impedir participação na cadeia global de valor

Lauryn Amaral, da CNN Brasil*, Thomaz Coelho, da CNN Brasil, São Paulo
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Estudo científico revela que o Brasil tem recursos suficientes para para participar notável do mercado global de terras raras até 2040. Os dados foram apresentados durante o VII SBTR (Seminário Brasileiro de Terras Raras), na última quarta-feira (1º), no Rio de Janeiro.

O resultado do trabalho foi encomendado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. 

Os pesquisadores que elaboraram o estudo "Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026 até 2040" apontam que o grande desafio do país é a construção de capacidades industriais, pois o valor econômico dos elementos está nas etapas, como o refino e a metalurgia.

Além de mapear reservas minerais e descrever os mercados, a pesquisa também tem um percurso estratégico que pode ser capaz de orientar políticas públicas, investimentos, desenvolvimento tecnológico e coordenação institucional ao longo de 15 anos.

O papel estratégico da Amazônia está destacado na pesquisa, em razão de a geologia de argilas de adsorção iônica ser uma reserva de longo prazo com a capacidade de sustentar a posição nacional nas cadeias globais.

O estudo foi elaborado pelo CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) e encomendado pelo MCTI, sendo uma atualização de uma pesquisa realizada em 2012.

A ministra do MCTI, Luciana Santos, disse durante a abertura do evento que “O Brasil reúne algumas das maiores reservas minerais do planeta, tem uma base científica consolidada, instituições de excelência e recursos humanos altamente qualificados.”

Futuro próximo

De acordo com o documento, é necessário determinar se, na próxima década, o Brasil será fornecedor de matérias-primas ou se também participará da nova economia global.

É apontado que as terras raras brasileiras reúnem 17 elementos químicos que são essenciais e também são insumos necessários para tecnologias que sustentam a transição energética e a transformação digital.

A indústria de alta intensidade tecnológica também consome relevantemente esses minerais que são encontrados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, sistemas de defesa, eletrônicos avançados, catalisadores industriais e materiais ópticos de alto desempenho.

A ministra também afirma que o documento apresenta como é possível transformar recursos naturais nacionais em capacidades industriais, tecnológicas e geopolíticas.

 

*Sob supervisão de Thiago Félix