Como Piramides de Gizé, no Egito, sobreviveram 4,5 mil anos? Estudo explica

Pesquisa aponta como a Grande Pirâmide de Khufu, a maior e mais antiga do Egito, permaneceu intacta por mais de 4.500 anos, mesmo após diversos terremotos

Helena Barra, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Um novo estudo investiga como as Pirâmides de Gizé, localizadas na região metropolitana de Cairo, no Egito, sobreviveram a terremotos e mantiveram sua estrutura, mesmo após cerca de 4,5 mil anos de existência.

A análise, divulgada pela revista científica Scientific Reports em maio deste ano, tem como foco principal a Grande Pirâmide de Khufu — a maior e mais antiga das pirâmides —, construída durante o Império Antigo do Egito

Durante o estudo, pesquisadores abordaram um caso de abalo sísmico que ocorreu no dia 7 de agosto de 1847, registrado como o maior terremoto na região. Com uma magnitude estimada de 6.8, o evento atingiu Gizé diretamente, porém, a estrutura principal da pirâmide permaneceu intacta, sofrendo apenas com a queda de algumas pedras do revestimento nas partes superiores.

Para entender melhor o ocorrido, cientistas realizaram um levantamento não destrutivo de ruído ambiente. Ao analisar as frequências de vibração natural do monumento e do planalto de Gizé circundante, eles descobriram que a frequência da pirâmide difere significativamente do solo, o que impede a ressonância perigosa durante eventos sísmicos.

O estudo também destaca que as câmaras de alívio internas da pirâmide e sua geometria especializada reduzem ativamente o estresse sísmico, enquanto a fundação permanece estável.

De acordo com a pesquisa, a resistência da pirâmide é atribuída às escolhas de design e localização sofisticadas, como:

  • Fundação em Rocha Firme: a construção sobre calcário duro aumenta a resistência a tremores;
  • Distribuição de Massa: a maior parte da massa é técnica perto do solo, conduzindo gradualmente em direção ao topo;
  • Design Antitorção: o centro de massa e o centro de resistência estão localizados no mesmo ponto ou muito próximo, eliminando ou diminuindo movimentos de torção;
  • Geometria Inteligente: o design simétrico, a pegada densa e a ausência de cantos reentrantes evitam o acúmulo de tensão e o tombamento.

As descobertas sugerem que os arquitetos da antiguidade possuíam um conhecimento sofisticado de geotecnia, otimizando intencionalmente o projeto para uma estabilidade em escala milenar.

Em última análise, os dados confirmam que a construção homogênea da pirâmide e a distribuição inteligente de massa proporcionam uma resistência superior aos tremores de terra. Neste sentido, a pesquisa reforça como as propriedades físicas da pirâmide tornam-se um modelo de engenharia de preservação de patrimônio.