Parque na Baixada Fluminense é polo de pesquisa arqueológica

Sítio arqueológico e histórico de Iguassú Velha guarda vestígios coloniais, imperiais e de povos indígenas

Helena Barra e Bruna Lopes, da CNN Brasil*, São Paulo
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Um parque localizado em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, reúne vestígios que remontam ao período colonial e imperial, além de evidências de ocupações humanas muito anteriores, incluindo populações indígenas que habitaram a Baixada Fluminense há milhares de anos.

O Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha (PHAIV) está localizado na região de Tinguá e ocupa uma área diretamente ligada à antiga Vila de Iguassú, criada em 1833, sendo um dos mais relevantes sítios históricos da região.

No local há um conjunto de pontos históricos e sítios arqueológicos que ajudam a compreender a dinâmica da antiga Vila de Iguassú. Confira abaixo: 

  • Marco Zero da Estrada Real do Comércio: ponto inicial de uma das mais importantes rotas comerciais do período colonial e imperial, por onde circulavam mercadorias, especialmente o café, ligando o interior ao porto e contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.
  • Torre Sineira da antiga Matriz de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú: remanescente da principal igreja da vila, a torre tinha função religiosa e também social, marcando horários, anunciando eventos e reunindo a população em torno da vida comunitária. Com aproximadamente 15 metros de altura, ela foi restaurada – pela Prefeitura de Nova Iguaçu – e pintada de branco com detalhes em amarelo ocre.
  • Cemitério da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (1875): vinculado à irmandade, ficou famoso como “Cemitério dos Ricos”. Abriga o mausoléu do comendador Bento Rodrigues Viana. No imaginário popular do século XX, ficou conhecido como “Cemitério dos Escravos”, o que nunca foi.
  • Cemitério da antiga Vila de Iguassú (1858) – ainda ativo: localizado no Morro do Quilombo e conhecido como “Cemitério dos Pobres”, é utilizado desde o período imperial até os dias atuais, demonstrando a continuidade histórica da ocupação local e preservando memórias de diferentes gerações da população iguaçuana.
  • Porto da Praça do Comércio de Iguassú: àrea estratégica para o escoamento de produtos agrícolas e chegada de mercadorias, sendo fundamental para a economia da vila, especialmente durante o ciclo do café.
  • Câmara e Cadeia: local onde funcionavam a administração pública e o sistema de justiça da vila, simbolizando o poder político e institucional da época, além da organização urbana do município nascente.
  • Áreas de escavação arqueológica abertas à visitação: espaços onde ocorrem as pesquisas atuais, permitindo visualizar vestígios das construções e objetos do passado, conectando diretamente o visitante ao processo de descoberta e reconstrução histórica.

Serviço de escavação arqueológica

Atualmente, o parque é um dos principais polos de pesquisa arqueológica da Baixada Fluminense, com escavações conduzidas pela equipe técnica Superintendência de Pesquisas Arqueológicas de Nova Iguaçu, .

As pesquisas garantem continuidade às observações arqueológicas, com atuação integrada entre escavação, laboratório e análise histórica, assegurando rigor científico e legitimidade ao acervo do museu.

As escavações já revelaram um acervo expressivo, com mais de 200 mil fragmentos arqueológicos, entre eles: Louças europeias; Moedas de diferentes períodos históricos; Cerâmicas, vidros e metais; Cachimbos com grafismo africano; e Estruturas arquitetônicas, como paredes, calçamentos e fundações

Os objetivos das pesquisas são:

  • Identificar vestígios das diferentes fases de ocupação da região;
  • Compreender aspectos sociais, econômicos e culturais da antiga Vila de Iguassú;
  • Reservar e valorizar o patrimônio histórico local;
  • Contribuir para a formação de acervos museológicos e ações educativas.

Elas ainda buscam evidências de ocupações indígenas anteriores ao período colonial, ampliando o conhecimento sobre a história da Baixada Fluminense.

 

*Sob supervisão de Thiago Félix