Comunidades de chimpanzé entram em "Guerra Civil" após divisão permanente

Pesquisa analisa uma comunidade de chimpanzés de Ngogo, na Uganda, considerada a maior comunidade habituada já registrada, com mais de 200 indivíduos

Helena Barra e Yasmin Silvestre, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Primatólogos investigam a dinâmica social e conflitos violentos, vistos como um fenômeno de "Guerra Civil", que vêm ocorrendo entre comunidades de Chimpanzés Selvagens da Uganda, país do continente Africano.

A pesquisa, divulgada no periódico Science, analisa uma divisão permanente na comunidade de chimpanzés de Ngogo, considerada a maior comunidade habituada já registrada, com mais de 200 indivíduos.

Conforme o estudo, este é um evento raro de cisão permanente. Ele não aconteceu de repente, mas sim através de um período de "particionamento" social e espacial entre a espécie.

A divisão tornou-se irreversível quando os laços sociais enfraqueceram e indivíduos que serviam como "ponte" entre os subgrupos morreram devido a doenças.

Uma vez separados em dois grupos, a relação entre os antigos companheiros tornou-se extremamente violenta.

Os chimpanzés começaram a realizar patrulhas em suas novas fronteiras, o que resultou em violência letal direcionada a machos adultos e, posteriormente, até a bebês do grupo oposto.

A pesquisa reforça que, em 50 anos, este é apenas o segundo caso de divisão de grupo documentado em chimpanzés selvagens. O primeiro foi relatado por Jane Goodall em Gombe, na Tanzânia.

Além disso, o estudo contrasta o comportamento dos chimpanzés com o dos bonobos, que, apesar de serem igualmente próximos aos humanos, formam associações tolerantes entre grupos e não se envolvem em conflitos letais após divisões.

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Papel fundamental das fêmeas

Embora os machos costumem atrair mais atenção devido à liderança nas patrulhas e na violência intergrupal, as fêmeas de chimpanzé são cruciais para a estrutura do grupo.

Elas influenciam a dinâmica social através de decisões sobre o uso do espaço e seleção de alimentos e estratégias reprodutivas e relações sociais complexas.

Fontes ainda enfatizam que a violência entre grupos é um processo de nível grupal que não pode ser totalmente compreendido sem considerar ambos os sexos.

*Sob supervisão de AR.