La Niña limitou a elevação do nível do mar em 2025, aponta Nasa

Análise realizada pela agência indica que a altura média do oceano aumentou 0,08 centímetros no ano passado, em comparação à 2024 que registrou 0,59 centímetros

Bruna Lopes, da CNN Brasil*
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Uma análise realizada pela Nasa apontou que, devido às condições do fenômeno La Niña, a elevação do nível médio global do mar desacelerou em 2025. A pesquisa mostra que a altura média do oceano subiu cerca de 0,03 polegadas (0,08 centímetros) no ano passado, abaixo do registrado em 2024, quando o aumento foi de 0,23 polegadas (0,59 centímetros).

O valor previsto também ficou inferior à taxa média de longo prazo, estimada em 0,44 centímetros por ano, desde o início da década de 1990. Ainda que a tendência geral seja de alta contínua do nível dos oceanos, esses períodos de menor elevação costumam coincidir com eventos do La Niña, fase do ciclo El Niño–Oscilação Sul que resfria o Pacífico oriental e intensifica as chuvas em regiões da América do Sul.

De acordo com a Nasa, o episódio atual de La Niña tem sido relativamente "ameno", mesmo que tenha provocado precipitações acima da média na bacia do rio Amazonas, o que contribuiu para um deslocamento temporário no fluxo de água dos oceanos para a terra.

Essa mudaça de fluxo tende a reduzir momentaneamente o nível do mar, compensando a elevação causada pelo derretimento de geleiras e calotas polares e pelo aquecimento dos oceanos, que aumenta o nível do mar pela expansão da água quando a temperatura sobe.

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Josh Willis, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia, afirma que o clima "nos coloca em uma espécie de montanha-russa", apesar disso, o especialista conta que o ciclo é de curta duração, uma vez que o excesso de água na Amazônia chegará aos oceanos em um período inferior a um ano, e a elevação rápida retornará em breve.

Pesquisas

Para calcular o nível médio global do mar em 2025, cientistas utilizaram dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, referência oficial para medições do nível dos oceanos, que monitora cerca de 90% da superfície oceânica a cada dez dias.

As análises foram complementadas através da medição por outras fontes, entre elas por informações do GRACE-FO (Gravity Recovery and Climate Experiment Follow-On), que mede o deslocamento de massas de água e gelo a partir de variações na gravidade da Terra.

Os dados do GRACE-FO apontaram que, apesar da continuidade da perda de gelo em regiões polares, uma quantidade atípica de água se deslocou dos oceanos para a bacia amazônica em 2025, impulsionada pelas chuvas associadas à La Niña.

Já medições do programa internacional Argo, que utiliza milhares de sondas submarinas, indicaram um aquecimento recorde dos oceanos no ano passado. A combinação desses fatores resultou em uma elevação do nível do mar abaixo da média histórica.

Ainda assim, a Nasa destaca que a tendência de longo prazo permanece preocupante. Desde 1993, o nível médio global do mar já subiu cerca de 10 centímetros, e a taxa anual de elevação mais que dobrou ao longo das últimas décadas.

“Com a elevação contínua do nível do mar em todo o mundo, o monitoramento por satélite permite que comunidades antecipem riscos e desenvolvam estratégias de resiliência”, afirmou Nadya Shiffer, chefe dos programas de oceanografia física da Nasa, em Washington.