Onda gravitacional criada por colisão de buraco negro é captada pela 1ª vez
Estudo inédito observa sinal que revela arrasto do espaço e gravidade na borda do horizonte de eventos durante colisão, confirmando previsões de Einstein

Cientistas conseguiram, pela primeira vez, captar onda gravitacionais vindo da colisão de dois buracos negros — o chamado horizonte de eventos.
Até agora, quando dois buracos negros colidiam, só era possível observar as vibrações do "anel de luz" que fica ao redor do buraco negro, e não da sua superfície propriamente dita.
Com o novo estudo, publicado pela revista científica Nature, foi identificado um sinal específico chamado onda direta. A pesquisa pode ser acessada neste link.
Essas ondulações invisíveis são emitidas no exato momento em que a matéria e a energia "caem" no buraco negro, carregando informações valiosas de como é o espaço-tempo.
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Segundo a pesquisa, os sinais gravitacionais funcionam como uma "impressão digital" do horizonte de eventos, confirmando duas propriedades fundamentais:
- O "Arrasto" do Espaço: devido à sua rotação intensa, o buraco negro literalmente "arrasta" o espaço ao seu redor;
- A Força da Gravidade na Borda: o sinal desaparece em um ritmo específico que revela a gravidade de superfície do buraco negro. É como se o sinal estivesse lutando para sair de uma gravidade tão forte que acaba sendo "esticado" até sumir.
De acordo com os pesquisadores, a descoberta é importante pois os resultados batem perfeitamente com o que a Teoria da Relatividade Geral de Einstein previu sobre buracos negros em rotação.
Em vez de apenas "deduzir" o que acontece perto de um buraco negro, agora os cientistas têm um canal direto para medir suas propriedades físicas.
Evento GW250114
A pesquisa só foi viável devido o evento GW250114. O cientista Sizheng Ma e seus colegas analisaram dados de ondas gravitacionais do evento, um sinal da colisão de dois buracos negros em fusão, detectado pelo Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (LIGO) em janeiro de 2025.
O evento resultou da fusão de dois buracos negros com massas de cerca de 33,6 e 32,2 massas solares, criando um novo buraco negro de aproximadamente 62,7 massas solares.
Eles analisaram uma onda direta da colisão, que se comportou como uma oscilação amortecida com uma frequência ligada à rotação do horizonte de eventos e uma taxa de decaimento relacionada à sua gravidade superficial.
*Sob supervisão de Thiago Félix


