Tecnologia brasileira vai equipar o maior telescópio do mundo; veja

Extremely Large Telescope (ELT), que está sendo construído no deserto do Atacama, no Chile, será o maior telescópio óptico do mundo

Thomaz Coelho, da CNN Brasil, São Paulo
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Um instrumento desenvolvido com participação de pesquisadores brasileiros fará parte do Extremely Large Telescope (ELT), que está sendo construído no deserto do Atacama, no Chile, e será o maior telescópio óptico do mundo.

O Brasil participa do projeto por meio do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), unidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Pesquisadores do país integram o consórcio internacional responsável pelo desenvolvimento do Mosaic, um espectrógrafo de última geração que será usado no observatório.

O ELT é um projeto do Observatório Europeu do Sul (ESO) e terá um espelho de 39 metros de diâmetro, o maior já construído para observações astronômicas nas faixas óptica e infravermelha. A previsão é que o telescópio entre em operação na próxima década.

Papel do Brasil no projeto

O Brasil atua no desenvolvimento do núcleo central do Mosaic, chamado de Instrument Core Subsystem (Icos), responsável por integrar todos os outros subsistemas do instrumento.

Além do LNA, o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP) também participa do consórcio, que reúne instituições de 14 países.

O pesquisador Bruno Castilho, do LNA, é o responsável pela engenharia de sistemas do Mosaic. Segundo ele, a expectativa é que o instrumento seja integrado e testado nos novos laboratórios do LNA, que estão em construção em Itajubá, no sul de Minas Gerais.

A participação brasileira no projeto garante também acesso de pesquisadores do país aos dados científicos do ELT, considerado um dos maiores empreendimentos da astronomia mundial.

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Para que serve o instrumento

O Mosaic é um espectrógrafo, equipamento que decompõe a luz emitida por estrelas e galáxias em diferentes comprimentos de onda. A partir desses dados, os cientistas conseguem identificar elementos químicos, medir velocidades e estudar a formação e a evolução das estruturas do Universo.

O instrumento permitirá observar mais de 200 alvos ao mesmo tempo, o que amplia significativamente a capacidade de pesquisa. Ele será usado em estudos sobre a formação de galáxias, a origem dos elementos químicos e a distribuição da matéria ao longo da história do cosmos.