Geyze Diniz
Coluna
Geyze Diniz

Cofundadora e presidente do Conselho do Pacto Contra a Fome, economista e conselheira da Península Participações

Sobre legado, reconhecimento e celebração

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Há quem diga que reconhecimento não se pede, se conquista. Eu acredito nisso, mas também sei que o reconhecimento, quando chega, tem o poder de transformar não apenas a nossa trajetória, mas a forma como a sociedade enxerga determinadas causas e trabalhos. E poucas coisas materializam esse gesto coletivo de reconhecimento como as premiações.

As primeiras premiações organizadas da história remontam ao mundo antigo: os Jogos Olímpicos, em 776 a.C., coroavam atletas com ramos de oliveira como símbolo de honra e prestígio. Mais tarde, Roma criou suas próprias formas de laurear guerreiros e artistas. A essência é sempre a mesma: reconhecer talentos, feitos e contribuições que se destacam no individual e no coletivo.

Com o passar dos séculos, as premiações foram se sofisticando e diversificando. A Academia Sueca, por exemplo, criou o Prêmio Nobel em 1901, homenageando mentes brilhantes nas ciências, na literatura e na luta pela paz. Já no campo cultural, Hollywood criou, em 1929, o Oscar, que começou quase como uma reunião íntima e hoje mobiliza olhares do mundo inteiro.

O mais interessante é que, independentemente da área - seja ciência, arte, esporte ou filantropia - o reconhecimento público cumpre uma função essencial: ele inspira. Ele nos mostra exemplos a seguir, ele projeta causas importantes para o centro das conversas e ele multiplica o alcance de quem está na linha de frente.

No universo das premiações, não se trata apenas do troféu ou da estatueta em si, mas o que ela simboliza. O reconhecimento, além do exemplo, é capaz de abrir portas, atrair parcerias e despertar novos apoiadores. É um carimbo de credibilidade que ressoa muito além do palco.

Também não podemos esquecer do poder afetivo. Ser indicada ou premiada é um lembrete de que o caminho, por mais desafiador que seja, valeu a pena. É uma forma de dizer: “nós vemos você, nós valorizamos seu esforço, sua dedicação e sua coragem”.

E em tempos em que tantas vozes competem por atenção, prêmios cumprem outro papel nobre: filtrar, dar luz e foco àquilo que realmente importa. Seja uma pesquisa científica que pode salvar vidas, uma performance artística que emociona milhões, ou uma iniciativa social que muda realidades, o reconhecimento cria narrativas que movem o mundo.

Por tudo isso, confesso que fiquei imensamente emocionada com minha indicação pela Brazil Foundation como filantropa em 2025, pelo trabalho realizado no Pacto contra a Fome, ao lado de nomes que sou pessoalmente fã. Essa instituição, que há vinte e cinco anos conecta recursos e ideias para fortalecer iniciativas sociais no Brasil, representa um olhar atento e criterioso. Ser reconhecida por eles é mais do que um prêmio: é um chamado à responsabilidade, e isso segue me dando forças para seguir neste meu propósito.

E eu recebo esse chamado com gratidão. Essa indicação não é apenas sobre mim, mas sobre todas as pessoas e projetos que caminham ao meu lado que acreditam e sobre o impacto que juntos conseguimos gerar. Reconhecimento, afinal, é também uma oportunidade de multiplicar vozes e causas.

Neste espírito, tive a honra de dividir o palco de homenagens com Leona Foreman, fundadora da Brazil Foundation por quem carrego profunda admiração pela sua trajetória de compromisso com o Brasil, e com o artista Seu Jorge, cuja voz e talento atravessam fronteiras e lembram a todos nós da força transformadora da cultura. Ser reconhecida ao lado deles reforça a ideia de que diferentes caminhos como a filantropia, a arte e o empreendedorismo social podem convergir em um mesmo propósito: construir um país mais justo, solidário e humano.

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