Geyze Diniz
Coluna
Geyze Diniz

Cofundadora e presidente do Conselho do Pacto Contra a Fome, economista e conselheira da Península Participações

Carta Aberta: O que 2025 nos pede?

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O início de um novo ano sempre traz uma sensação especial. É a oportunidade de fazer um balanço do que vivemos no ano anterior e projetar o que desejamos para o futuro, com esperança, como se fosse uma página em branco em nossa história. Esse momento de reflexão vale para a nossa vida pessoal, nossa família, nosso trabalho, nossos negócios e, claro, para o nosso país. Mas, olhando de forma mais ampla, o que 2025 nos pede? Que sejamos iguais ao que fomos até agora? Que continuemos fazendo mais do mesmo?

Há uma frase atribuída a Albert Einstein que sempre me inspirou em momentos de mudança na minha vida: "Não espere resultados diferentes fazendo sempre as mesmas coisas." Outra, frequentemente dita por Abilio Diniz — "Quero hoje ser melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje" —, também me instiga e me convida à evolução. Ao mesmo tempo, existe a máxima de que "em time que está ganhando não se mexe". Porém, a questão que devemos refletir é: enquanto sociedade, estamos realmente "ganhando"? Estamos tão bem enquanto nação a ponto de nos sentirmos vitoriosos e acharmos que não precisamos mudar nada?

Tenho refletido bastante sobre as necessidades do nosso país. Cada vez mais percebo a ausência de um olhar amplo e integrado para enfrentarmos questões delicadas e urgentes, como as mudanças climáticas, as desigualdades econômicas, a pobreza e a fome — apenas para citar algumas das muitas demandas que exigem ação.

Estou convencida de que podemos resolver muitos desses problemas se formos objetivos, assertivos, urgentes e eficientes, com boa gestão e vontade genuína de fazer a diferença. O mais importante, no entanto, é que haja união. Precisamos que governo e sociedade civil assumam seus papéis e somem forças. A participação do empresariado, da academia, do terceiro setor e da imprensa é essencial para que possamos evoluir como país.

A escolha está em nossas mãos: podemos continuar como espectadores que apenas reclamam ou assumir o protagonismo da transformação. O tempo está passando, e as ações precisam ser tomadas de maneira estruturada. Não há espaço para polarizações. É hora de pensar no coletivo, como nação.

Como economista, sempre enxerguei nos números uma forma de compreender o mundo, a política, a economia e as escolhas humanas. No entanto, é fora das planilhas que encontramos o verdadeiro propósito — aquilo que dá sentido às nossas ações. Propósito, aliás, talvez seja a palavra que melhor define o chamado de 2025.

E você, tem um propósito? Ele é apenas individual ou envolve outras pessoas? Qual legado você quer deixar? O que te move a agir? Já parou para refletir sobre como nossas ações — ou a falta delas — impactam tanto a nossa vida quanto a daqueles que vivem à margem da sociedade?

Ter um propósito é como ter um motor potente que nos impulsiona, mesmo nos momentos mais difíceis. É o que dá significado à nossa existência. É não querer passar pela vida sem perceber tudo o que somos capazes de fazer. É acordar todos os dias motivado, sabendo que suas ações podem causar um impacto positivo em alguém. É, simplesmente, fazer bem o bem.

Por isso, meu convite é: sejamos pessoas com propósito. Que saibamos olhar para o próximo, agir com empatia e, assim, contribuir para a construção de um país mais justo.

O futuro é agora, e ele está em nossas mãos.