Isadora Cohen
Coluna
Isadora Cohen

Especialista em direito da infraestrutura e mestre em direito dos negócios pela FGV. É sócia da ICO Consultoria e apresentadora do Infracast. Foi Secretária de Estado em São Paulo e diretora de Infraesturura da FIESP

Adiamento de processo de privatização da Copasa expõe imbróglio de preço

Mercado esperava anúncio de novo acionista-referência, mas companhia divulgou nesta quarta alteração do cronograma e frustrou a expectativa dos investidores

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Hoje seria um dia conclusivo para o processo de privatização da Copasa. Saberíamos se Livorno (grupo de acionistas da Aegea) ou Equatorial (acionista da Sabesp) se tornariam os acionistas de referência da Companhia. Isso é: aquele que deteria uma fatia de 30% do capital social da Copasa e comandaria o caminho para a universalização do saneamento em Minas Gerais.

A tentativa de privatização foi feita a partir da publicação de um Prospecto, que definiu as regras de apresentação da proposta na B3. No documento, constava informação de valor referencial das ações da Copasa, na casa dos R$ 53 por ação – que considerava uma média histórica.

Mas o processo da privatização foi estruturado a partir de um valuation que traduziu um valor – não público – que deveria ser esperado pelo estado de Minas Gerais para a venda de suas ações para o acionista de referência.

O que se diz nas notícias, é que esse preço possivelmente não foi atingido por nenhuma das propostas. Agora os potenciais interessados devem aguardar a publicação de um novo prospecto para avaliar se submeterão novas propostas. O prospecto, segundo se especula, deve ser publicado nos próximos dias.

As regras da privatização previam que se o preço esperado não fosse oferecido por nenhum dos potenciais acionistas de referência (Livorno e Equatorial), o governo de Minas Gerais e a Copasa poderiam seguir para o caminho da pulverização completa do capital da companhia. Nessa situação, todas as ações atualmente detidas pelo Estado poderiam ser alienadas na Bolsa de Valores.

Aparentemente esse não era o caminho esperado pelo governo. Ter um acionista de referência pode significar, na prática, ter também um operador associado. E contar com essa experiência para liderar a companhia nos desafios técnicos que serão enfrentados.

O outro caminho – de transformar a Copasa em uma Corporation (controle totalmente pulverizado) – pode levar a um desafio maior no atingimento do objetivo de universalização.

Além disso, caso o governo seguisse com o processo sob justificativa de que o preço mínimo não foi atingido, haveria o risco de não haver interessados na aquisição das ações, pois o mercado poderia entender que, se os operadores do setor não estão dispostos a pagar esse preço mínimo, por que os investidores financeiros pagariam?

Ao alterar o prospecto, uma alternativa seria deixar público o valor mínimo aceito pelo Estado com a privatização e torcer para que os players estratégicos precifiquem os riscos de acordo.