José Manuel Diogo
Coluna
José Manuel Diogo

O homem de lá e de cá. Presidente da APBRA, diretor da Câmara Luso Brasileira em Lisboa. Professor universitário no IDP em Brasília. Escritor. Especialista em relações luso-brasileiras

Portugal e Brasil transformam turismo em negócio de futuro

País foi o 2º europeu que mais enviou turistas ao Brasil em 2025, com 273.483 visitantes; brasileiros aparecem em 7° lugar dos que mais se hospedam, com 2,37 milhões de diárias no mesmo ano

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Em 2025, Portugal recebeu 32,5 milhões de hóspedes e realizou 82,1 milhões de hospedagens, segundo dados do governo português.

O Brasil aparece em 7º no ranking de países que mais se hospedaram em Portugal com 2,37 milhões de diárias em 2025. Já em número de hóspedes ficou em 6º em hóspedes, com 1,06 milhão, e o 7º em receitas, com 1.199,5 milhões de euros.

Ao mesmo tempo, os dados de 2026 mostram aceleração do mercado brasileiro: de janeiro a fevereiro, as hospedagens de turistas do Brasil em Portugal cresceram 17,5%, os hóspedes 15,9%, os desembarques 23,7% e as compras com cartões bancários 39,3%.

No Porto e no norte português, a alta é ainda mais expressiva: o Brasil já aparece como 2º mercado externo em hospedagens, atrás apenas da Espanha.

É neste contexto que o Fórum Atlântico de Turismo Brasil–Portugal 2026 ganha especial relevância. Realizado nesta segunda-feira (13), na cidade de São Paulo, o encontro reuniu autoridades públicas, dirigentes institucionais e líderes empresariais dos dois lados do Atlântico para discutir o presente e o futuro da relação turística entre Portugal e o Brasil.

O turismo, quando ganha frequência, conectividade e expressão econômica, deixa de ser apenas circulação de pessoas. Passa a ser investimento, segunda residência, ensino, gastronomia, imobiliário, serviços premium, eventos e cadeias empresariais.

O que hoje entra nas estatísticas como hóspede amanhã reaparece como aluno, comprador, empreendedor, investidor ou morador parcial. O turismo costuma ser o primeiro idioma econômico entre países que já partilham língua, memória e confiança.

É aqui que o Norte de Portugal merece atenção especial. Durante anos, a relação luso-brasileira pareceu concentrada em Lisboa e na nostalgia. Agora, os dados sugerem outra geografia. Quando o Brasil sobe ao 2.º lugar externo no Porto e Norte logo no primeiro bimestre, o que está em causa é uma redistribuição de centralidade.

O Norte passa a disputar protagonismo não só como destino turístico, mas como porta de entrada de uma relação mais produtiva, menos cerimonial e mais contemporânea. Parte do futuro luso-brasileiro pode estar se deslocando para onde há mais equilíbrio entre valor, autenticidade e capacidade de crescer melhor.

Do lado brasileiro, o movimento também é eloquente. Portugal foi o 2º país europeu que mais enviou turistas para o Brasil em 2025, com 273.483 visitantes. O dado mostra um contexto de expansão do fluxo europeu e aumento da conectividade aérea entre os dois mercados. Isso significa reciprocidade. E reciprocidade, em relações internacionais, vale mais do que encanto. Vale previsibilidade.

Quem ler estes números como mera estatística de hotelaria vai perder a oportunidade. O que cresce aqui é um corredor dinâmico feito por empresários experimentados e com peso real na economia dos dois países. E corredores como estes, quando atingem massa crítica, deixam de transportar só turistas: começam a transportar o futuro.