José Manuel Diogo
Coluna
José Manuel Diogo

O homem de lá e de cá. Presidente da APBRA, diretor da Câmara Luso Brasileira em Lisboa. Professor universitário no IDP em Brasília. Escritor. Especialista em relações luso-brasileiras

Um prémio que Aproxima

Celebrando Minas Gerais e Portugal o Prémio Aproxima, da Câmara de Comércio e Industria Luso brasileira juntou à mesa, na cidade de Vila Nova de Gaia, olhando o Porto, em Portugal, empresários e ideias que estão a transformar o mundo que fala em Português

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Hoje há vários Brasis que entram em Portugal. Um a um. Entra o Brasil urbano, veloz, que mede resultados; entra o Brasil criativo, que transforma identidade em economia.

Neste meio de campo está o Brasil de Minas, que fala com pausa e trabalha com método. Todos trazem a mesma pergunta silenciosa: onde ancorar na Europa sem perder o próprio ritmo? Portugal responde com escala humana, segurança institucional e uma língua que não precisa de tradução.

Nesse encontro, não há mediação: há reconhecimento.

O Prémio “Aproxima Portugal–Brasil” da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira é, nesse cenário, uma metáfora saborosa do que está a acontecer.

Como um jantar bem construído, ele começa com a apresentação — a memória comum, a afinidade histórica —, mas ganha densidade no prato principal: investimento, comércio, infraestrutura, cultura, mobilidade.

E termina com o que fica depois do brinde: projetos, rotas, cadeias de valor.

A cerimónia é um cardápio de setores estratégicos sentados à mesma mesa, a provar que a relação deixou de ser afetiva para se tornar operacional.

Mais do que uma ponte bilateral, este encontro espelha um movimento maior: o Norte a redescobrir o Sul como parceiro de futuro e não apenas como fornecedor de matérias-primas.

Portugal e Brasil funcionam aqui como dobradiça de dois blocos — União Europeia e Mercosul — que procuram novas formas de cooperação num mundo fragmentado.

O que se experimenta nessa ementa, que a Fecomércio de Minas Gerais ajuda a servir no Porto, faz parte daquilo que Portugal e o Brasil estão a construir em larga escala: confiança regulatória, complementaridade produtiva, circulação de talento e capital.

Minas Gerais, neste contexto, é símbolo de um Sul que chega com consistência e valor agregado; e Portugal, de um Norte que se reposiciona como plataforma atlântica.

Entre ambos, está uma língua que reduz custos de transação e uma cultura que acelera decisões. O sabor dessa aproximação é de algo que já não é promessa, mas ensaio de realidade.

A cena parece circunstancial, mas é estrutural. O que se decide nessas mesas e que nem sempre aparece é escrito nas atas: aparece nos voos que se abrem, nas parcerias que se consolidam, nos investimentos que encontram lastro.

Se essa energia for organizada, o Prémio Aproxima deixará de ser apenas celebração e tornar-se-á método — uma tecnologia de ligação entre mercados, ideias e pessoas.

No fim, fica a imagem: vários Brasis sentados à mesma mesa, um Portugal que não apenas recebe, mas integra, e dois blocos — Mercosul e União Europeia — a aprender que a nova geografia do poder também se desenha à mesa; em uma aproximação com método, que transforma afinidade em estratégia e convivência em desenvolvimento.