Lygia Pimentel
Coluna
Lygia Pimentel

É médica veterinária, economista e diretora-executiva da Agrifatto, empresa de consultoria e inteligência em agromercados

Cotação de grãos sobe nas bolsas com o conflito no Oriente Médio

Guerra eleva preços de soja e milho devido à competição com petróleo e impacto nas exportações brasileiras, com Irã representando 22% das exportações de milho do Brasil

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A guerra no Oriente Médio tem causado repercussões significativas no mercado de commodities agrícolas, especialmente nas cotações de grãos como soja e milho. O conflito trouxe volatilidade aos preços, que já vinham sendo influenciados por outras variáveis de mercado.

O Irã, país diretamente afetado pelas tensões regionais, representa uma parcela expressiva das exportações brasileiras de milho. O país respondeu por cerca de 22% do volume total de milho exportado ao longo do ano passado, são 9 milhões de toneladas de um total de 41 que foram exportadas. Esta relevância do mercado iraniano para as exportações brasileiras de milho contribui para a instabilidade nos preços.

 

 

Relação com o petróleo

A correlação entre os preços do petróleo e dos grãos é outro fator determinante para a alta nas cotações. O milho nos Estados Unidos, em especial, mas também aqui no Brasil, é utilizado para a produção do etanol de milho. Com a elevação dos preços do petróleo devido ao conflito, há uma pressão correspondente sobre os preços do milho, que compete como fonte alternativa de energia.

No caso da soja, a influência vem por duas frentes: a competição em área com o milho e o impacto nos óleos vegetais. A volatilidade no mercado de petróleo trouxe esse suporte adicional para os óleos vegetais, e isso embute o óleo de soja, que vinha em recuperação em Chicago. O mercado da soja, que já estava em processo de recuperação, ganhou impulso adicional com as tensões geopolíticas.

Impactos na pecuária

Os efeitos da alta nas cotações dos grãos também se estendem à pecuária, principalmente devido ao uso do milho na composição da ração animal para confinamento. Contudo, uma possível resolução desse conflito ainda no primeiro semestre pode diminuir o impacto já que o confinamento entra mais em operação no segundo semestre.

Além disso, o binômio petróleo-dólar afeta diretamente os custos produtivos do setor. O fortalecimento do dólar e o aumento no preço dos combustíveis elevam os custos de produção, gerando preocupação enquanto perdurar a situação de instabilidade. A expectativa é que o conflito não se prolongue, mas como ressalta a especialista, "guerra a gente sabe quando começa, quando termina a gente não sabe".