Análise: Agro de olho em reunião entre Trump e Xi Jinping
Encontro entre líderes dos EUA e China em Pequim é considerado o mais importante em muito tempo para o agronegócio mundial

O encontro previsto para esta quarta-feira (13) entre Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim, é apontado como a reunião internacional mais aguardada pelo agronegócio. A reunião entre os dois chefes de Estado tem influência direta sobre o setor agrícola do Brasil e do mundo.
O evento vai além de uma simples negociação diplomática e pode reverberar nos fluxos agrícolas globais.O alimento deixou de ser apenas um produto agrícola e passou a funcionar como um instrumento de poder, de controle, de segurança alimentar e de relações internacionais.
Para o Brasil, a commodity mais sensível nesse contexto é a soja. Durante o primeiro governo Trump, quando a China deixou de comprar soja americana, o Brasil foi o país que mais se beneficiou. Essa boa relação rende frutos até hoje.Em abril, o Brasil exportou 16 milhões de toneladas de soja para a China, o maior volume registrado em um único mês, reforçando a proximidade entre os dois países.
Do lado dos Estados Unidos, a pressão sobre Trump vinda do setor agrícola nunca foi tão intensa. A situação econômica financeira do agronegócio americano é ruim, com o maior número de quebras e falências da história.
O setor passou a depender de suporte governamental, o que aumenta a expectativa de que Trump busque ampliar o espaço do agronegócio americano nas negociações com a China.
China mais preparada e Brasil na posição ideal
Quanto à China, o país está em posição muito mais favorável do que estava em 2018. A China ampliou as parcerias internacionais, se aproximou mais do BRICS, da África e da América Latina, e fez investimentos de infraestrutura generalizados nessas regiões.
Para o Brasil, o melhor cenário não é nem um rompimento nem um acordo pleno entre as duas potências. Para o Brasil, o melhor cenário é que haja uma "pressão controlada", como ocorre hoje. Essa pressão favorece as exportações e mantém a estrutura da economia mundial em funcionamento.
