Marcello Brito
Coluna
Marcello Brito

É diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral e um dos maiores especialistas brasileiros em agronegócio. Foi enviado especial à COP30 e ex-presidente da ABAG

Aquisição da Agropalma no Pará pode ter custado US$ 100 milhões

Negociação inclui refinaria de óleo de palma na Grande Belém, seis extratoras e área de 107 mil hectares no Pará; operação deve ser finalizada em 90 dias

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O grupo colombiano Daabon adquiriu as operações da Agropalma, no estado do Pará, em parceria com investidores brasileiros. A negociação, estimada em cerca de US$ 100 milhões, inclui uma refinaria de óleo de palma na Grande Belém, seis extratoras e uma área total de 107 mil hectares, sendo mais de 40 mil cultiváveis.

O valor da transação representa aproximadamente 10% do que era a avaliação da empresa em 2017 e 2018, demonstrando significativa depreciação da companhia nos últimos anos. A Agropalma, que anteriormente pertencia ao banqueiro Aloysio Faria, enfrentou um processo de declínio após o afastamento dele  da direção.

O setor de óleo de palma celebra a chegada do grupo colombiano ao Brasil. A Colômbia é atualmente a quarta maior produtora mundial de óleo de palma, com uma área plantada cinco a seis vezes maior que a brasileira. O país sul-americano desenvolveu expertise na estruturação do setor e na inclusão de pequenos produtores, conhecimento que agora poderá ser aplicado nas operações brasileiras.

 

Potencial brasileiro no setor de óleo de palma

O óleo de palma representa 33% do consumo mundial de óleos vegetais, sendo o mais produzido e consumido no planeta. Apesar de o Brasil ser considerado o país com maior potencial para produção desse óleo, sempre foi um produtor marginal e ainda importa o produto.

Vitor Almeida, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleo de Palma, manifestou satisfação com a negociação, destacando que a transação traz robustez ao setor. Com a Agropalma fortalecida, outras empresas também poderão crescer e somar esforços para que o setor ganhe a relevância que o potencial brasileiro oferece.

A conclusão final do negócio ainda depende de trâmites legais que devem ser concluídos em 90 dias. Um aspecto importante a ser definido é a composição acionária da empresa, já que pela legislação brasileira, empresas estrangeiras não podem deter mais de 50% de companhias proprietárias de terras no Brasil.