Marcello Brito
Coluna
Marcello Brito

É diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral e um dos maiores especialistas brasileiros em agronegócio. Foi enviado especial à COP30 e ex-presidente da ABAG

Guerra no Oriente Médio deixa economia em "modo Covid"

Conflito gera ruptura na cadeia de suprimentos de combustíveis e fertilizantes e cria incertezas no planejamento de empresas e países, incluindo o Brasil

Compartilhar matéria

O conflito no Oriente Médio está gerando impactos econômicos que se assemelham ao período da pandemia de Covid-19, com empresas e países enfrentando sérias dificuldades para planejar o futuro e organizar suas cadeias de suprimentos.

Já existem relatos de desabastecimento de diesel em algumas regiões brasileiras, especialmente em cidades próximas a zonas rurais, o que gera preocupação sobre o abastecimento de máquinas agrícolas. Há matérias sendo publicadas a todo momento sobre a falta de diesel e fertilizantes pelo mundo

 

Falta de transparência e organização

Um dos pontos críticos é a ausência de um comitê oficial do governo para monitorar e gerenciar a crise. Em momentos como esse, é necessário um sistema que fornecesse informações semanais sobre a situação dos suprimentos, estoques e pontos críticos de atenção.

Esta falta de transparência dificulta o planejamento e pode agravar os efeitos da crise, que começa com problemas energéticos, passa para o aumento no preço dos combustíveis e fretes, afeta o custo dos insumos e alimentos, e finalmente impacta a inflação. Sem uma coordenação adequada, torna-se muito difícil fazer previsões e tomar medidas preventivas.

Efeitos prolongados mesmo após o fim do conflito

Mesmo que a guerra terminasse imediatamente, os efeitos na economia global persistiriam por semanas ou até meses. Publicações internacionais estimam que apenas para reorganizar os navios já estacionados nas áreas de crise seria necessário um período de quatro a oito semanas.

A reestruturação completa de contratos, fretes, custos de produtos e rotas logísticas poderia levar ainda mais tempo, potencialmente afetando a preparação da próxima safra agrícola brasileira.  É preciso melhorar s  organização entre governo e setor privado para lidar com crises que estão se tornando cada vez mais frequentes.