Brasileiros pisam 40 mil vezes em jararaca e ganham prêmio internacional

Estudo causou polêmica por trazer uma experiência de campo inusitada

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

Uma pesquisa promovida por brasileiros recebeu o Prêmio Ig Nobel de biologia após estudiosos pisarem em uma jararaca mais de 40 mil vezes com uma bota com proteção.

A premiação foi criada pela revista de humor científico Annals of Improbable Research (Anais de Pesquisa Improvável) e é concedida a autores de experimentos, descobertas e estudos inusitados nas áreas de ciências, medicina, finanças, tecnologia e outros temas.

Entenda conquista

De acordo com o Ig Nobel, os estudiosos brasileiros pisaram repetidamente, em várias temperaturas e em diversos momentos do dia, para tentar entender o que leva ou não uma serpente a picar um humano.

O prêmio foi entregue a João Miguel Alves Nunes, Adriano Fellone, Selma Maria Almeida-Santos, Carlos Roberto de Medeiros, Ivan Sazima e Otavio Augusto Vuolo Marques, na última quinta-feira (3), em Zurique, na Suíça. E a cerimônia ocorreu nos Estados Unidos, nas universidades de Harvard, de Boston e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Apesar da premiação, o estudo enfrentou obstáculos. Isso porque o artigo recebeu uma retratação na publicação da revista “Scientific Reports” após ter uma inconsistência identificada.

A retração se deu por causa do termo “pisada”, que deveria ser entendido como “tocar levemente com o pé”. Além disso, a palavra causou problemas porque o comitê de ético do Instituto Butantan não havia aprovado o uso de filhotes de serpentes e o ato de “pisar” nas cobras.

Um fato curioso é que o ganhador brasileiro do IG Nobel acabou afastado do projeto após ser picado quatro vezes por serpentes e sofrer de reações alérgicas ao veneno e ao soro antiofídico.

Vale reiterar que, ao contrário do prêmio em dinheiro do Nobel, os vencedores do Ig Nobel recebem uma cédula de dez trilhões de dólares do Zimbábue. Apesar do teor cômico, relacionado à premiação, o Ig Nobel também busca homenagear realizações “surpreendentes que fazem as pessoas rirem e, depois, pensar”.