Geração Z não está tomando banho para "dates": entenda tendência que usa feromônios como pretexto

Tendência que viralizou nas redes aposta no cheiro natural como estratégia de atração, em meio a mudanças na forma como a Geração Z encara encontros e relacionamentos

Alessandra Baroni, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

Tomar banho, passar desodorante e escolher um perfume costumam fazer parte do ritual de quem vai sair para um encontro. Nas redes sociais, porém, alguns jovens estão defendendo justamente o contrário: deixar o banho de lado, e até o desodorante, para tentar conquistar alguém pelo cheiro natural do próprio corpo.

A prática ganhou o nome de “pheromone-maxxing”, em referência aos chamados feromônios. A teoria compartilhada por quem adere à tendência é que produtos de higiene e fragrâncias esconderiam sinais químicos naturais do corpo que poderiam influenciar a atração.

A moda começou a circular no TikTok e passou a ser associada principalmente a homens da Geração Z. Isso não significa, porém, que uma geração inteira tenha abandonado o banho. Parte do conteúdo que ajudou a popularizar o termo também é apontada como provocação ou sátira, o que torna difícil medir quantas pessoas realmente adotaram o comportamento fora das redes.

A história começou no TikTok

Um dos nomes associados à origem dos vídeos que popularizaram o “pheromone-maxxing” é o criador norte-americano Isaac, conhecido pelo perfil @fluffdumpster. Um vídeo publicado em 2024 já trazia a expressão ligada à ideia de não tomar banho e preservar o odor corporal. O conteúdo voltou a circular e acabou sendo incorporado à onda de tendências de “maxxing” das redes sociais.

A lógica vem de um fenômeno maior. Termos terminados em “-maxxing” passaram a ser usados na internet para descrever tentativas de maximizar determinada característica, especialmente a aparência e a atratividade. O looksmaxxing, por exemplo, reúne estratégias que prometem melhorar a aparência física.

No caso do “pheromone-maxxing”, a proposta muda o foco para o cheiro. Em alguns vídeos, usuários relatam deixar de usar perfume e desodorante, reduzir os banhos ou até repetir roupas que já foram usadas para manter o odor corporal

Um dos exemplos que circulam atualmente é o do influenciador norte-americano Demir Basceri, conhecido como “cookiekinggg”, que afirmou ao Daily Mail passar três dias sem tomar banho antes de um encontro e, no dia de sair, vestir novamente uma camiseta usada. A justificativa seria preservar o que ele chama de “efeito halo” dos feromônios.

Feromônio humano realmente funciona?

Feromônios são substâncias químicas usadas por diversas espécies para transmitir sinais entre indivíduos da mesma espécie. Em animais, eles podem participar de comportamentos ligados à reprodução, território e comunicação.

Nos seres humanos, porém, a história é bem menos definida.

Uma das substâncias mais estudadas nas pesquisas sobre possíveis feromônios humanos é a androstadienona, um esteroide encontrado predominantemente em secreções masculinas. O composto já foi associado em estudos a respostas relacionadas às emoções, à cognição e à atividade neural. Uma revisão publicada em 2025 na revista Physiology & Behavior, no entanto, aponta que as evidências ainda são inconsistentes e que não é possível afirmar que a substância seja um feromônio sexual humano.

Ao mesmo tempo, isso não significa que o cheiro seja indiferente nas relações sociais. Uma revisão sistemática publicada em julho de 2026 na Frontiers in Psychology, que reuniu 21 estudos, encontrou evidências de que odores podem influenciar emoções, percepção e julgamentos sociais. Os efeitos dos chamados quimiossinais humanos, no entanto, foram considerados sutis e dependentes do contexto.

Geração Z e os novos códigos dos encontros

A discussão sobre o “pheromone-maxxing” acontece em um momento de mudanças na maneira como jovens lidam com relacionamentos e encontros. Uma reportagem anterior da CNN Brasil mostrou que a Geração Z apresenta níveis menores de atividade sexual em comparação com gerações anteriores. Especialistas apontaram fatores como mudanças nas prioridades, questões financeiras e transformações na forma de construir relacionamentos.

Os dois fenômenos não têm uma relação direta comprovada, mas ajudam a ilustrar como os códigos de atração e intimidade vêm sendo discutidos entre os mais jovens. Nesse cenário, até hábitos que pareciam pouco negociáveis antes de um encontro, como tomar banho, usar desodorante ou escolher um perfume, podem virar objeto de experimentação.

Isso não significa, naturalmente, que cuidar da higiene tenha deixado de ser importante. O banho ajuda a remover suor, oleosidade, resíduos e microrganismos acumulados na pele, enquanto produtos como sabonete e desodorante ajudam a controlar o odor corporal. Preservar uma característica natural do corpo é diferente de abandonar os cuidados básicos de higiene.

No fim, a chamada “Geração Cascão” talvez diga mais sobre a velocidade com que comportamentos ganham novas interpretações na internet do que sobre uma mudança real nos hábitos de toda uma geração. Para alguns usuários, a pergunta passou a ser se o cheiro natural pode ajudar na hora da conquista. A resposta, por enquanto, está longe de ser tão simples quanto deixar o sabonete de lado.