Lavar a louça enquanto cozinha revela capacidade de controlar o ambiente e regular comportamentos
À CNN Brasil, a psicóloga Luciana Xavier explica a perspectiva desse hábito de um ponto de vista cerebral

Lavar a louça logo depois de usar os utensílios de cozinha ou prestar atenção nos detalhes desse ato pode revelar um hábito que beneficia a saúde mental e os níveis de estresse no corpo. Segundo um estudo realizado em 2015 por pesquisadores da Universidade Estadual da Flórida, esse comportamento aumenta a sensação de controle mental do cérebro.
Os pesquisadores realizaram o estudo com cerca de 50 estudantes, e descobriram que aqueles que lavavam louça se concentrando no cheiro do sabão, na temperatura da água e na textura dos objetos tiveram uma redução de 27% no nervosismo e um aumento de 25% na inspiração mental.
Já aqueles que dividem o tempo entre usar os utensílios e lavar logo em seguida, controlam o ambiente por meio de uma sequência de ações visando reduzir o acúmulo de tarefas futuras. A neuropsicóloga Luciana Xavier explica à CNN Brasil essa perspectiva do ponto de vista cerebral.
"Do ponto de vista cerebral, estamos falando de planejamento, monitoramento, controle inibitório, memória operacional e flexibilidade cognitiva, exatamente as funções que nos ajudam a lidar com as múltiplas demandas da vida cotidiana. Quando uma pessoa prepara uma refeição e, ao mesmo tempo, vai organizando os utensílios utilizados, ela precisa manter várias informações ativas na mente simultaneamente", afirma a psicóloga.
O cérebro também registra cada prato, panela ou talher lavado como uma espécie de "recompensa", transformando uma tarefa corriqueira em uma estratégia de autorregulação reduzindo a sobrecarga visual, diminuindo a sensação de caos ao final da tarefa e favorecendo a percepção de controle sobre o ambiente.
"Outro aspecto importante é o controle inibitório. Muitas vezes a tendência natural é deixar a bagunça para depois e focar exclusivamente na refeição. Ao interromper esse impulso e manter uma rotina organizada, o cérebro exercita a capacidade de regular comportamentos e priorizar objetivos de longo prazo", acrescenta a neuropsicóloga.


